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Dau: era soviética vira mega instalação cultural em Paris

Por Patricia Moribe

DAU é o nome do evento cultural que está dando o que falar em Paris. Tudo é superlativo, inclusive a polêmica, no projeto do artista russo Ilya Khrzhanovsky de reconstruir a era soviética dos anos 1930 até 1960 em forma de filme, teatro e arte performática.

A estreia mundial deveria ter sido em setembro, em Berlim, mas por questões de segurança acabou sendo cancelada e agora na capital francesa, funciona parcialmente, pelas mesmas questões.

DAU estava programado para acontecer em três grandes endereços parisienses: o Teatro do Chatelet, o Teatro de la Ville e um anexo no Centro Pompidou. Depois de uma estreia cancelada, o projeto acontece por enquanto no Teatro de la Ville e no Centro Pompidou. A produção garante que em breve ela vai funcionar integralmente.

Apadrinhado pelo oligarca Serguei Adoniev, pioneiro da banda 4G na Rússia, Khrzhanovsky construiu uma imitação de um instituto científico na Ucrânia, onde mais de 400 pessoas viveram em condições similares às da União Soviética das décadas de 30 até 60.

Participaram atores e não atores, incluindo personalidades culturais de renome, como a artista plástica Marina Abramovic, o ator francês Gerard Depardieu para dublagens e o polêmico diretor italiano Romeo Castellucci. A produção também contou com dez mil extras.

Os participantes viviam seus papeis 24 horas por dia – eram cientistas, prostitutas, religiosos, ex-agentes da KGB, faxineiras, vendedoras. Em dois anos, foram filmados 700 horas de interações, que foram resumidos em 13 longas. A qualidade dos filmes é discutível, são uma espécie de falso cinema-verdade, jantares, treinamentos de jovens e sexo aparentemente não simulado.

O personagem central é Lev Landau, cientista russo de verdade e que ganhou o Nobel de Física em 1962. Além de desenvolver o programa atômico soviético, ele também tocou um projeto experimental envolvendo sexo e drogas. Landau foi um grande nome das ciências, principalmente da física quântica.

"Ilya Khrzhanovsky se interessou muito pela questão do tempo não-linear e da possibilidade de se poder ter várias existências simultâneas. Foi uma pessoa que viveu de maneira bastante livre, um libertino, um gênio maluco e provocador que deu origem ao projeto”, conta a produtora Martine d’Anglejan-Chatillon.

Outro nome de prestígio envolvido no projeto é o musico inglês Brian Eno. “É o projeto mais maluco e mais ambicioso do qual já participei. Ainda está sendo desenvolvido e isso pode levar anos”, disse Eno. “Para fazer a música escutamos muito o barulho de geladeiras, de máquinas e motores, tudo o que não é considerado normalmente como música. Espero que vocês gostem.

Mesmo que não gostem, espero que ela tenha algum efeito sobre vocês”, declarou.
Em Paris, o projeto megalomaníaco de Khrzhanovsky deveria ocupar dois grandes teatros, o do Chatelet e o de la Ville, além de um anexo no Centro Pompidou, com um teatro non stop 24 horas por dia. A inauguração foi adiada e finalmente só acontece no Teatro de la Ville e no centro Pompidou.

A produção de DAU garante que logo o evento poderá ser visto em sua integralidade. Como disse Brian Eno, trata-se de um projeto em andamento, há planos de novos filmes, série de TV, documentários e até um filme para o cinema.

O ingresso para DAU é na forma de um visto comprado com antecedência pela Internet e se parece com uma carta de identidade europeia. O visto de 6 horas custa €35; o de 24 horas, €75, e o de €135 dá acesso ilimitado.

Uma obra genial ou uma enganação? Na página Facebook do evento, as críticas são muitas. Os internautas reclamam dos preços, dos filmes chatos e da qualidade em geral do serviço. Outros falam em experiência inesquecível. DAU fica em cartaz em Paris até 17 de fevereiro.

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