rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
RFI CONVIDA
rss itunes

Documentário brasileiro em Berlim questiona o tempo e o neoliberalismo

Por Patricia Moribe

“Estou me preparando para quando o Carnaval chegar” é o título do documentário de Marcelo Gomes em competição na mostra Panorama da Berlinale deste ano. A estreia mundial acontece neste sábado (9).

Da enviada especial a Berlim

A história gira em torno de Toritama, com cerca de 27 mil habitantes, no agreste pernambucano. A cidade é um importante polo têxtil nacional, com produção de 20 milhões de peças de jeans por ano, a maior parte em fábricas de fundo de quintal. A maioria da população está envolvida no efervescente processo.

Mas, uma vez por ano, o barulho das máquinas de costura desaparece por alguns dias. É Carnaval e os moradores de Toritama fazem o que podem para cair na folia no litoral. Vale juntar as economias, vender geladeira ou fazer empréstimos.

Esse é o pano de fundo do documentário de Marcelo Gomes. Ele se inspirou nas primeiras viagens que fez ao agreste com o pai, as imagens rurais, com bodes e plantações de milho. “Eu acho que também tinha o desejo de voltar para um passado que eu nunca tinha revisitado, um passado memorialista”, conta o cineasta.

Qual o valor do tempo?

“Cheguei a uma idade em que você começa a refletir sobre o tempo. O filme fala disso – o que você faz com o seu tempo, qual o tempo que você doa para produzir riqueza e qual o tempo que você doa para você mesmo. Talvez seja por isso que as pessoas se identificam tanto com o filme, mesmo sendo sobre um microcosmo dessa cidade tão pequena. Ele fala sobre o que o neoliberalismo está fazendo com o nosso tempo”, diz Marcelo Gomes.

Mas o diretor diz que não queria fazer mais um filme como tantos outros sobre trabalhadores de “sweatshops na Índia ou no Paquistão”, como vítimas dessa máquina do neoliberalismo. “Queria saber mais sobre essas pessoas, seus desejos, seus sonhos, o que querem da vida. Vi pessoas que estão vivendo uma fase muito cruel do capitalismo, achando que, por serem autônomas, elas estão livres, mas são escravas delas próprias, produzindo, produzindo”, declara.

“Espero que seja um filme que faça a gente refletir sobre o que a gente faz com a nossa vida, com a nossa memória, com os nossos sonhos”, diz. Ele acha que o capitalismo está “evoluindo de uma forma muito dinâmica e acho que é preciso entender melhor a nossa existência nesse neoliberalismo que se apresenta agora”.

Quanto às perspectivas do audiovisual no novo governo brasileiro, Marcelo Gomes acha muito cedo para avaliar. “É uma indústria que está gerando milhares de empregos, muito mais que a indústria farmacêutica e isso afeta até o PIB brasileiro. É obvio que não pode se desmantelar algo que vai tão bem, dentro de um pensamento capitalista. Então acho que não vai haver muitas alterações, espero que isso continue funcionando, pois o audiovisual gera muitos empregos no Brasil”, pondera.

“Eu sou uma mistura, então minha música é mestiça”, diz violonista pernambucana Fernanda Primo

“Em tempos de segregação no Brasil, jovens são os mais atacados”, diz professor em Paris

Crise na Igreja Católica brasileira é uma das razões da diminuição de fiéis, explica sociólogo

“Discurso de ódio de Bolsonaro favorece ataques contra imprensa”, diz representante da RSF no Brasil

“Torre das Donzelas é um convite à resistência”, diz cineasta que reviveu presídio feminino durante a ditadura

“Acredito na resiliência do setor cultural”, diz assessor da Ancine sobre riscos para fomento

“Não queremos reviver luta armada”, diz diretora de documentário sobre ex-guerrilheiro

“Somos massacrados pela música comercial da pior qualidade”, diz trombonista Raul de Souza

Brasil rejeita presença africana desde século 19, diz Beatriz Mamigonian, especialista em escravidão moderna

“Bolsonaro é uma ameaça aos indígenas do Brasil”, diz cacique Tanoné em visita à França

Professor da Unicamp apresenta em Paris dispositivo alternativo para imersão sonora

Atualidade política inspira 21ª edição do Festival de Cinema Brasileiro de Paris

“Eu nunca me aquietei artisticamente”, diz cantora Flávia Bittencourt em turnê pela Europa

Escritora italiana Lisa Ginzburg lança livro de amor e tragédia no Brasil dos orixás

Filme sobre destruição de marco zero do Rio traz triste paralelo com atualidade

DJ Marcelinho da Lua lança álbum “Insolente” e diz: “Mundo atual está precisando de provocação”

Arte “ecológica” de Manfredo de Souzanetto volta a ser exposta na Europa

Apesar dos retrocessos no país, literatura brasileira vive um bom momento, avalia Henrique Rodrigues