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Mostra em Berlim reconstrói cidades históricas sírias destruídas pela guerra

Por RFI

A exposição, inaugurada nesta quinta-feira (28), mostra lugares históricos da Síria destruídos pela guerra civil. O projeto inclui fotografias, filmes e reproduções em 3D de paisagens que já não existem, mas que um dia podem vir a ser reconstruídas, com a ajuda de um grande arquivo de imagens e documentos que está sendo formado em Berlim.

Márcio Damasceno, correspondente da RFI em Berlim

Chamada "A paisagem cultural da Síria – preservar e arquivar em tempos de guerra", a mostra acontece no Museu Pergamon, um dos mais famosos da capital alemã. A exposição foi organizada pelo Museu para Arte Islâmica de Berlim e o Instituto Arqueológico de Berlim.

A exibição traz ao público uma parte pequena dos 340 mil documentos do projeto "Syrian Heritage Archive Project" (Projeto do Arquivo da Herança Síria), iniciado há seis anos por Stefan Weber, diretor do Museu para Arte Islâmica de Berlim.

Desde 2013, pesquisadores alemães e sírios colecionam fotografias, filmes e textos sobre cultura, arqueologia e tesouros naturais sírios. Eles digitalizaram e catalogaram esse material, formando um arquivo que já chega a 340 mil documentos, o maior já reunido sobre a Síria fora do país.

A esperança é que, através desse material do arquivo digitalizado, seja possível reconstruir os lugares destruídos. Um exemplo mais claro da importância desse projeto é a cidade antiga de Palmira, reconhecida como patrimônio mundial da Unesco em 1986, cujos monumentos foram alvo de ataques dos extremistas do Estado Islâmico, em 2015.

A equipe do projeto tem quinze membros, incluindo nove profissionais sírios que auxiliam na coleta de informações vindas diretamente da Síria sobre lugares destruídos. Eles também ajudam a encontrar novos documentos que possam ser incorporados ao arquivo.

Na mostra, o público pode ver partes históricas de cidades como Damasco, Aleppo, Palmira e Rakka. Parte das imagens apresentadas em grandes painéis fotográficos panorâmicos semicirculares, como eram antes da guerra.

Preservação da memória

A exibição é enriquecida com filmes, reportagens e telas interativas, que revelam a destruição provocada pela guerra ao patrimônio histórico da Síria. As fotos que mais impressionam os visitantes são aquelas que retratam o antes e o depois da guerra civil na Síria.

Registros que flagram, por exemplo, uma rua movimentada em Aleppo, de um lado e do outro, e mostram o mesmo lugar transformado numa montanha de ruínas e entulhos. As imagens ajudam a manter as recordações de lugares atingidos pela destruição causada pela guerra.

Refugiados guiam visitantes

Os refugiados sírios, que agora vivem em Berlim, oferecem visitas guiadas em árabe, dentro de um projeto chamado Multaka. Lançado em 2015, ele patrocina a formação de refugiados como guias em árabe para museus públicos da capital alemã. A iniciativa ajuda jovens sírios que fogem da guerra a se integrarem na Alemanha.

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