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Atelier des Lumières revisita Van Gogh em mostra digital e atrai multidões em Paris

Por Márcia Bechara

Uma antiga usina de fundição do século XIX, desafetada no 11° distrito de Paris, é cenário hoje de um dos maiores sucessos de público da capital francesa. Depois da exposição dedicada ao pintor simbolista austríaco Gustav Klimt, que reuniu mais de 1 milhão de pessoas em 2018, o Atelier des Lumières, ou Ateliê das Luzes, novo espaço parisiense dedicado à arte digital, joga seus refletores em direção a um outro mestre da pintura ocidental, o holandês Vincent Van Gogh. 

Os mais de 3 mil metros quadrados do antigo galpão industrial de Paris recebem o público com uma explosão de luzes e sons, recriando fantasmagorias e dando vida e movimento a temas e personagens que povoam as mais de 2 mil telas e desenhos de Van Gogh.

Além das projeções colossais com detalhes das obras do artista, a exposição digital traz uma trilha impactante, moldando o comentário sobre a obra dos autores abordados com vírgulas contemporâneas. No caso da exposição Van Gogh, A Noite Estrelada, o público tem a impressão de entrar dentro das telas do pintor. Quem explica o conceito do Atelier des Lumières é um de seus diretores, Michael Couzigou:

“Não falamos em espetáculo, mas em exposição digital. Para nós, é como uma produção original realizada com imagens de obras da arte clássica. É uma produção muito artística. No caso do Van Gogh, digitalizamos várias centenas de imagens de quadros de Vincent Van Gogh, o que nos permitiu projetar em grandes formatos no interior do Atelier des Lumières. É uma descoberta diferente do que encontramos normalmente nos museus”, diz.

Entre pintura e espetáculo, Michael Couzigou prefere desviar desse tipo de polêmica e oferecer uma opção complementar para o público dos museus.

“Na verdade, fazemos uma coisa completamente diferente. Fazemos arte digital. Os museus têm o seu papel, não viemos substituir os museus. A ideia é simplesmente propor algo diferente, uma interpretação do diretor sobre uma corrente artística ou um artista. Isso pode atrair um público que não vai facilmente aos museus", explica. "Recebemos muitas famílias e crianças, é uma maneira de iniciá-los à arte, e isso pode provocar uma vontade nos jovens de irem ver depois as verdadeiras obras e quadros”, afirma o diretor do espaço.

Segundo Couzigou, não há limite para sonhar e as projeções digitais abrem possibilidades para todos, de renascentistas a artistas contemporâneos. Ele conta ainda que a experiência estética vivida pelo público é única e individual, mesmo que as projeções sejam coletivas.

“Algumas pessoas mais velhas não circulam pelo hall, elbora a ideia seja justamente andar pelo interior do galpão para descobrir a exposição. Temos também as crianças que vão correr e vão tentar agarrar as imagens. Temos os jovens que vão deitar no chão de maneira contemplativa. Na verdade, cada um vive a exposição da forma que desejar”, diz Couzigou. 

A exposição Van Gogh, la nuit étoilée, fica em cartaz no Atelier des Lumières, em Paris, até o dia 31 de dezembro.
 

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