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Apesar dos retrocessos no país, literatura brasileira vive um bom momento, avalia Henrique Rodrigues

Por Adriana Brandão

“Previsões para ontem”, este é o título instigante do livro de poesias que o escritor carioca Henrique Rodrigues está lançando em várias cidades europeias. Ele já passou por Londres, está agora em Paris, antes de seguir para o interior da França, Bruxelas, Pontevedra e Lisboa. Além de autor, Henrique Rodrigues coordena o importante Prêmio Sesc de Literatura, e diz, nesta entrevista à RFI, que apesar da “onda de retrocesso” hoje no Brasil, a “literatura brasileira vive um momento muito rico”.

*Assista abaixo, no fim do texto, o vídeo completo com a entrevista.

Henrique Rogrigues tem 13 livros publicados no Brasil. Ele navega por vários gêneros literários: poesia, literatura infanto-juvenil, conto e romance. Seu último trabalho, “Previsões para ontem”, editado pela Cousa, marca sua volta à poesia, 13 anos depois de sua primeira obra, “A musa diluída”.

À RFI, ele explicou que este é um livro político: “Estes momentos da nossa vida pública me instigaram a voltar à poesia, que me pareceu a forma mais adequada para dizer algumas coisas que preciso dizer”.

O título, tirado de um verso, resume, segundo ele, “o sentimento de ‘déjà-vu’ que temos. Parece que estamos andando para trás em alguns aspectos. Tanto na esfera pública, quanto na privada. As pessoas estão todas armadas, muito agressivas, algo que me parece uma onda de retrocesso”.

Otimismo

Apesar da inquietação com essa falta de perspectiva da sociedade, Henrique Rodrigues não perde por completo o otimismo. Um de seus versos ilustra bem essa dualidade: “O Rio de Janeiro/15 assassinatos/por dia/e 130 saraus/de poesia/se eu me chamasse Raimundo/uma rima/e um solucinho”.

O escritor, que também é coordenador do Prêmio Sesc de Literatura, diz, sem hesitar, que a literatura brasileira vai bem e “vive, já há alguns anos, um momento muito rico, muito produtivo, muito diverso”. O prêmio Sesc, que desde 2003 revela dois jovens autores brasileiros por ano, nas categorias conto e romance, teve neste ano quase duas mil inscrições, um recorde. “Apesar de tudo, a gente nota o desejo de muita gente de ingressar na carreira literária. Eu acho que a busca pela literatura mostra também uma vontade de questionar isso tudo. A literatura é um bom caminho para a gente reler e reescrever a realidade. Nem tudo está perdido!”, avalia.

Para ele, o que explica o pequeno número de leitores regulares no Brasil é que “a sociedade brasileira não foi educada em escala para valorizar os bens culturais. Todo mundo diz que o livro é caro, mas não diz que o celular é caro. É uma questão de valores e é isso que precisa ser trabalhado na raiz”.

Visibilidade internacional

Henrique Rodrigues tem um livro traduzido na França. Seu primeiro romance, “O próximo da fila”, foi publicado no ano passado pela editora Anacaona com o título de “Au suivant”. Ele veio à França participar do lançamento e achou a recepção do público francês "muito interessante".

Mas, no geral, “a visibilidade internacional da literatura brasileira ainda é muito restrita a um público lusófono”, avalia o escritor, que pede mais esforços e investimentos, público e privado, para divulgar a vasta e diversa produção literária nacional no exterior. A falta de visibilidade está inserida em um problema maior que é “o entendimento do que é o Brasil, suas manifestações culturais, sua literatura”. E essa falta de conhecimento vale também no próprio país: “O Brasil não se conhece, não conhece muito da sua própria produção que se concentra em alguns centros. A gente tem muito que construir”.

 

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