rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
  • Primeira-ministra britânica, Theresa May, anuncia sua renúncia para 7 de junho
RFI CONVIDA
rss itunes

Artista brasileira Teresa Poester expõe na Galeria Umcebo em Paris

Por Márcia Bechara

A artista plástica Teresa Poester, gaúcha com longa tradição em desenho e pintura, se consacra agora a pesquisas experimentais sobre a fusão de diferentes linguagens artísticas. Poester, que mistura em seu trabalho suportes e técnicas variados, estreia em Paris na Galeria Umcebo a exposição La Nature du Geste, ou A Natureza do Gesto, em português.

Com 41 anos de carreira, a gaúcha Teresa Poester escolheu morar em Eragny sur Epte, uma cidadezinha perto de Paris, conhecida por também ter abrigado o pintor impressionista Camille Pissarro. "Eu era professora [no Instituto de Arte da Universidade Federal de Porto Alegre-UFRGS] e vim fazer o doutorado na França. Foi uma conjunção de fatores a minha escolha pelo país e por esse local. Pissarro teve um ateliê ali durante muitos anos, onde trabalhei", conta.

"A luz é diferente nesse lugar. A gente sabe que a luz dos impressionistas tem um véu, uma espécie de voile no céu, que é bem diferente da região do Midi [metade sul da França metropolitana]. A pintura do Matisse e do Cézanne, por exemplo, sofre a influência do Midi", lembra a artista.

Teresa Poester realizou exposições individuais no Brasil, Argentina, Espanha, França e Bélgica, obtendo prêmios de desenho. Sobre o começo da carreira, Poester conta que não gostava de pintura, que achava o suporte muito "grandiloquente". "Era uma época difícil no Brasil, a época da ditadura. Descobri com o desenho que poderia retratar as coisas de uma maneira muito direta e muito simples, o desenho tem essa coisa da portabilidade", afirma.

A descoberta da pintura

"Eu me considerava péssima pintora na faculdade, então decidi ir estudar pintura em Madri. Voltei para o Brasil pintora, trabalhando nesse suporte. Quando fui para a França mais tarde, retomei o desenho. Acho que mesmo a minha pintura era de desenhista, era uma pintura 'magra', não tinha um pensamento de pintor", conta Poester.

"Mas o meu desenho tem a coisa da pintura. Não é um desenho de contorno, é um desenho de campos, de cor, no sentido de arabescos", diz. No Brasil ou na França, a artista explora agora mais sistematicamente um processo híbrido. "Minha abordagem pessoal é influenciada pelo trabalho coletivo e combina mais e mais desenho, gravura, fotografia, manipulação digital, livro-objeto, performance e principalmente vídeo. O desenho abre mais e mais em novos suportes", conta.

O gesto na era digital

"O meu desenho sempre teve, mesmo quando era mais figurativo, uma pegada muito gestual. Nunca me interessei por um trabalho que fosse uma cópia. Sempre me interessei pelo gesto, por esse tremor da mão que só o desenho pode dar, essa coisa da linha ser expressiva, isso que me interessa. Eu acho que o desenho digital tem muitas possibilidades", afirma a artista.

Ela diz que aprende muito com as gerações mais jovens. "Criei um coletivo chamado Ateliê D43, que veio fazer residências aqui na França. Trabalho muito com vídeo e com essas misturas de linguagens", conta Poester.

"A exposição 'A natureza do gesto' é um trabalho gestual. Não é completamente figurativo, não estou retratando uma paisagem. Mas essa paisagem entra dentro de mim e eu moro em um lugar rural na França, completamente próximo do pampa gaúcho, onde nasci. Os pintores que eram paisagistas foram levados à abstração muito mais facilmente do que os retratistas. A paisagem leva à abstração mais facilmente", diz a artista.

Grupo “Trio in Uno” lança álbum “Ipê” em homenagem ao cerrado brasileiro

"Hungria mantém refugiados em centros de detenção arbitrária", diz ativista

Nazaré Pereira, pioneira do forró na França, revela um “outro Brasil”

"Está difícil ter orgulho de ser brasileiro", diz Martinho da Vila, antes de show em Paris 

"Bacurau" mostra o Brasil, "um país maravilhoso, mas também muito feio”, disse Kléber Mendonça em Cannes

Com álbum “+100”, Casuarina apresenta samba moderno em turnê pela Europa

Do burlesco à modernidade, livro retraça percurso revolucionário da atriz Helena Ignez, musa do 'cinema marginal' brasileiro

Do burlesco à modernidade, livro retraça percurso revolucionário da atriz Helena Ignez, musa do 'cinema marginal' brasileiro

Fotógrafo brasileiro expõe em Paris reflexões sobre memória e preservação

Tinta Bruta, o filme da 'bicha que resiste' estreia no circuito comercial na França

Exclusão do português em exame de entrada na universidade na França gera protestos

Entre arqueologia e performance, jovem artista brasileira Manoela Medeiros estreia individual em Paris

“Macron quis governar a França como uma startup”, diz especialista sobre dois anos do presidente no poder

“Fomos influenciados pela França desde a infância”, diz autora de guias turísticos

“Legado de Da Vinci é universal” e disputa entre França e Itália é política diz professor da USP

Reforma da Previdência pode precarizar trabalhador com aumento da informalidade, diz economista Thomas Coutrot

“Rever o modo de funcionamento da educação no Brasil é muito preocupante”, diz Carlos Cury

Protagonismo indígena do Brasil nas artes plásticas é tema de exposição na França