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“Legado de Da Vinci é universal” e disputa entre França e Itália é política diz professor da USP

Por Adriana Brandão

2019 marca os 500 anos da morte de Lenardo da Vinci. Na França, onde o genial pintor renascentista morreu em 2 de maio de 1519, a data é lembrada e as homenagens vão durar o ano inteiro. Nesta quinta-feira (2), o presidente Emmanuel Macron recebeu em Amboise a visita do presidente italiano Sergio Mattarella para marcar o início das comemorações e tentar por um fim à polêmica entre os dois países sobre o legado do artista. Em entrevista à RFI, o historiador da arte Luciano Migliaccio, considera essa uma “disputa política”, pois o legado de Da Vinci é “universal”.

Leornardo da Vinci nasceu em 1452 na Itália, e morreu no castelo de Clos-Lucé em Amboise, no vale do Loire. O artista italiano estava na cidade francesa há três anos, a convite do rei Francisco Primeiro.

Na França, o ponto alto das comemorações pelos 500 anos de sua morte será uma retrospectiva de sua obra. A exposição Leonardo Da Vinci será inaugurada no Museu do Louvre de Paris em outubro.

As celebrações ocorrem também em vários países, como Itália e Inglaterra. O professor de História da Arte da USP, Luciano Migliaccio, italiano radicado em São Paulo e especialista em Renascimento, ressalta que Da Vinci “não só foi um dos pintores mais significativos da Renascença, mas de toda a história da arte ocidental. Tanto do ponto de vista técnico, quanto teórico, a presença dele marca todo o desenvolvimento da pintura e da escultura na tradição europeia e americana”. Ele lembra ainda que o artista também foi cientista e que hoje ele é, no imaginário popular “reconhecido como um grande inventor, como um gênio que antecipaou invenções de nossa época”.

Para o professor da USP, Da Vinci é genial porque resolveu uma série de problemas que o Renascimento florentino colocou em pauta. Luciano Migliaccio cita algumas das inovações técnicas que o pintor italiano introduziu: “Ele iluminava modelos com luzes artificiais e desenhava com uma técnica inovante. Como também era cientista, se interessou pela ótica e aplicou essa problemática na pintura. Usou o chamado Sfumato, em particular o claro-escuro; a perspectiva ótica e a chamada perspectiva aérea, com a influência entre a distância e as cores”.

Quadro mais caro do mundo

O italiano renascentista é um dos maiores pintores da história, mas é um artista de poucas obras. Os especialistas atribuem apenas entre 15 e 17 grandes quadros a ele. Cinco estão no Museu do Louvre de Paris, entre eles o mais famoso de todos, a Mona Lisa.

Quase todos esses quadros estarão expostos na retrospectiva, que acontece no segundo semestre no Louvre. Mas provavelmente o polêmico "Salvator Mundi", o quadro mais caro do mundo, leiloado por US$ 450 milhões em 2017, justamente porque foi atribuído a da Vinci não será exibido. Muitos especialistas questionam sua autoria e defendem que ele não integre a mostra. O historiador de arte da USP, ao contrário, acha que “Salvator Mundi” deve ser mostrado para que o público e estudiosos tenham acesso à obra e possam formar uma opinião definida sobre sua qualidade e atribuição.

Polêmica entre França e Itália sobre legado

Da Vinci também alimenta a crise entre a França e a Itália, iniciada por questões políticas, mas que atingiu as comemorações pelos 500 anos da morte do pintor, depois que Roma acusou Paris de se apropriar do legado de Da Vinci. Migliaccio lamenta a polêmica, que ele considera um “pretexto”, devido as contingências políticas atuais. “Todo mundo sabe que da Vinci não é um legado nacional. Ele é um legado universal. O legado material dele está dividido entre a França, a Itália, a Inglaterra e numerosos outros países. Me parece que esta polêmica é realmente uma manifestação da política cultural deprimente que estamos vivendo”, salienta o historiador.

O Brasil também organiza eventos para comemorar os 500 anos da morte de Leonardo da Vinci. Desde dia 15 de abril, o Instituto Italiano de Cultura de São Paulo lançou uma série de eventos, que acontecem durante todo o ano, em homenagem ao mestre renascentista.

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