rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
RFI CONVIDA
rss itunes

Do burlesco à modernidade, livro retraça percurso revolucionário da atriz Helena Ignez, musa do 'cinema marginal' brasileiro

Por Márcia Bechara

O pesquisador e professor da Unicamp, Pedro Guimarães, lançou na França, em co-autoria com Sandro de Oliveira, o livro Helena Ignez, actrice expérimentale (Helena Ignez, atriz experimental, em português), pelas edições Accra, da Universidade de Estrasburgo (leste). O livro explora o percurso cinematográfico da musa do cinema experimental brasileiro dos anos 1950 e 1960. Revolucionária, Helena Ignez imprimiu sua marca indelével e muito pessoal na história do cinema brasileiro, transformando para sempre as técnicas de atuação e de presença na película.

* Para ver a entrevista na íntegra, clique no vídeo ao fim da matéria

Segundo Pedro Guimarães, o livro Helena Ignez, actrice expérimentale é fruto de uma pesquisa acadêmica que ele desenvolve sobre atores brasileiros nos últimos cinco anos. "Na verdade, foi um convite da Universidade de Estrasburgo, depois de uma passagem minha como professor-convidado. Mostrei alguns filmes da Helena Ignez para professores e alunos e eles ficaram encantados, nunca tinham ouvido falar dessa atriz e acharam incrível o tipo de trabalho que ela fazia", conta.

O professor afirma que redirecionou seu trabalho de pesquisa sobre atores para o percurso de Helena Ignez. "O livro é fruto de um projeto de pesquisa financiado pela Fapesp, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo e pela Capes, uma agência nacional de fomento. É importante frisar que estas duas agências impulsionam a pesquisa universitária e científica. É importante que elas continuem existindo e financiando esse tipo de trabalho, que leva o nome do Brasil para o mundo", diz.

Quem foi Helena Ignez?

"Helena Ignez é uma atriz brasileira, de teatro e de cinema, que começou sua carreira na década de 1950 e trabalhou com uma série de diretores como Gláuber Rocha, antes mesmo de chegar ao cinema marginal. A partir de 1968, com "O bandido da luz vermelha" [direção de Rogério Sganzerla, seu companheiro na época], Helena traçou um trabalho de atuação de corpo, de construção de uma persona, absolutamente inédito no Brasil e no mundo", relata o pesquisador.

"Costumo dizer que ela bebe nas fontes do cinema burlesco, do início de Chaplin e outros cineastas, passando pelas atrizes modernas dos anos 1950 e fazendo disso uma base de seu trabalho como atriz, mas indo muito além do que esses atores norte-americanos e europeus propuseram", afirma Guimarães.

"Helena se inscreve nessa modernidade cinematográfica, mas vai muito além, trabalhando com a realidade brasileira dos anos 1970, com a iconografia brasileira dos rituais africanos, numa relação muito clara com as artes plásticas e com o teatro do Brasil nesse período, ou seja, alguém muito antenada com seu tempo. Ela propõe uma atuação revolucionária no sentido de criação corporal, de empoderamento feminino. É uma atriz que não existe igual em nenhuma parte do mundo", diz.

Assista ao vídeo abaixo para ter acesso à entrevista completa sobre o percurso da musa Helena Ignez, suas características, referências e principais trabalhos.

Artista plástico Oscar Oiwa expõe em Paris obras de três cidades ligadas pelas Olimpíadas

Revista Vesta discute os desafios das adoções que “não dão certo”

Série sobre índios da Amazônia rende prêmio a fotógrafa brasileira em Perpignan

Artista plástica radicada na França, Janice Melhem Santos exibe coletânea de obras

“Democracia brasileira está sendo golpeada por dentro”, diz, em Genebra, representante da OAB

"O maior problema da Amazônia é a impunidade”, diz fotógrafo italiano premiado por trabalho na região

Empresárias brasileiras visitam Paris para se “reconectarem com seu lado feminino”

Documentário da franco-brasileira Véronique Ballot revisita primeiro encontro entre índios e brancos no Brasil

Miriam Grossi: Cortes de bolsas da Capes podem levar pesquisadores a deixar o Brasil

“O Brasil sempre vai estar presente no meu jeito de fazer música”, diz cantora de jazz Agathe Iracema

Para grupo Brasileiras de Paris, misoginia de Bolsonaro não começou com Brigitte Macron, mas com Dilma

Sem mudança ambiental “radical”, perspectiva é “muito pessimista” para o agronegócio do Brasil

Afastamento de França e Brasil vem desde o impeachment, lembra cientista político

Banda Natiruts lota casa de shows em Paris com 'I love', "ampliando raízes" do reggae

Livro de brasileira radicada em Paris desmistifica glamour da capital francesa

Especialista da FAO alerta para contaminação do Aquífero Guarani no Brasil

Militares são os maiores defensores da Amazônia, diz novo embaixador do Brasil na França