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Entre identidade e melodia, sambas-enredo "recuperam identidade brasileira", diz intérprete Ana Guanabara

Por Márcia Bechara

A intérprete carioca Ana Guanabara recupera a riqueza melódica de um grande patrimônio musical do Brasil, o samba-enredo, em seu novo disco. Com uma dramaturgia própria, esse gênero musical, famoso por sua percussão, traz raízes de identidade brasileira. O álbum Sambas Enredos será lançado no dia 21 de junho em todas as plataformas digitais, e no dia 4 de julho, com um concerto especial em Massy, na França.

*Para ouvir a entrevista na íntegra, clique na foto acima

A cantora Ana Guanabara conta que o disco Sambas Enredos é um projeto antigo, construído a partir de sambas que escutava em sua infância. "Fui criada numa família completamente apaixonada por Carnaval que me levava para assitir os desfiles desde muito pequena. Parti da minha memória, de melodias lindas que ficaram na minha cabeça e na cabeça de vários brasileiros", diz.

"Parti dos sambas que escutei na avenida, e, depois, fiz uma pesquisa exaustiva escutando os vinis que eu tinha em casa, que herdei de meus pais, e depois pela internet", afirma. O objetivo era descobrir outras pérolas que não fossem forçosamente os sambas "mais conhecidos ou cantados". 

"Adoro a exuberância percussiva do samba-enredo, mas pensei em trazer uma coisa diferente, tentei focar na beleza melódica, na riqueza poética desses sambas", relata a intérprete. Ana Guanabara é a primeira cantora mulher a produzir um CD só de sambas-enredo.

"Me dei conta disso fazendo o disco, no Rio, gravando, com o Cláudio Jorge que é o arranjador, que dividiu comigo essa realização. É um gênero muito pouco explorado fonograficamente. Alguns artistas homens fizeram discos regravando sambas-enredo, como Martinho da Vila, Dudu Nobre, Mestre Marçal e Jamelão", diz.

"Descobri durante minha pesquisa que a Ângela Maria gravou um formato de quatro músicas com os melhores sambas de 1975, mas, efetivamente, nenhuma cantora dedicou um disco inteiro aos sambas-enredo", conta. "No entanto, outros tipos de samba vêm sendo muito revisitados, com a reemergência do samba e do choro no Brasil", analisa a cantora.

Identidade

Guanabara conta que "enredo quer dizer trama narrativa, fio condutor de uma história". "Os sambas-enredo têm uma história riquíssima. As escolas de samba surgiram no Rio de Janeiro no final da década de 1920. O gênero samba-enredo foi se desenvolvendo e maturando com o tempo. (...) O acontecimento das escolas de samba foi um meio de aceitação social para a população de descendentes de escravos, que era marginalizada", diz.

"Como vetor dessa cultura, esse samba representa esta cultura de maneira importante", lembra Ana Guanabara. O samba-enredo é um diálogo permanente entre a necesside de expressão da cultura afro-brasileira  genuína e uma negociação com o Estado. A gente não pode esquecer que, no início do século 20, o samba era muito perseguido, assim como todas as manifestações de matrizes africanas", relata.

A partir de um determinado momento, diz a cantora, "a jovem República brasileira precisou constituir uma identidade". "Um elemento que deu essa identidade para o brasileiro foi o samba. Então ele foi aceito, mas controlado pelo poder e teve que negociar", lembra a intérprete.

O show de lançamento na França acontece no Centro Cultural Paul B, em Massy, no dia 4 de julho de 2019. Divulgação

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