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Marionetista brasileira ressuscita Toulouse-Lautrec nas ruas da França

Por Silvano Mendes

A marionetista brasileira Nina Vogel começou na França uma turnê internacional de performances sobre Henri de Toulouse-Lautrec. As apresentações, que passam por várias cidades antes de seguir para o Canadá, coincidem com uma retrospectiva sobre o trabalho do pintor francês no museu do Grand Palais, em Paris.

Toulouse-Lautrec é um dos símbolos da vida boêmia de Paris no final do século 19. Suas imagens do bairro de Montmartre, com seus bares e cabarés de cancan, ilustram cartazes e cartões postais que fazem parte da lista de lembrancinhas que quase sempre voltam nas malas dos turistas após uma primeira estadia por Paris.

Mas nem todo mundo conhece a história do pintor, aristocrata que deixou a riqueza de lado para viver na marginalidade, e que retratou como poucos a chamada Belle Époque. Filho de primos de primeiro grau, Toulouse-Lautrec sofria de uma doença genética que afetou seu processo de crescimento. Com 1m42, seu corpo, entre adulto e criança, destoava nas ruas da cidade, criando uma mistura de rejeição e curiosidade.

Foi esse personagem complexo que fez Nina Vogel, atriz formada em canto lírico, escolher a marionete como forma de expressão. Há sete anos a brasileira trabalha sobre a obra do pintor, que se tornou uma marionete em tamanho real e que viaja com ela pelo mundo.

Depois de passar pelo Festival Mundial de Marionetes de Charleville-Mézières, no leste da França, e Angers, no oeste francês, a artista, que já passou pelo Chile e pelo Brasil com o espetáculo, se apresenta agora em Paris, nas ruas de Montmartre, bairro que povoou a obra de Toulouse-Lautrec. As performances acontecem na mesma semana em que o Grand Palais inaugura a exposição “Toulouse-Lautrec, résolument moderne” (de 9 de outubro a 27 de janeiro de 2020).

Artista rejeitado por impressionistas e expressionistas

Nina anda pelas ruas com a marionete colada a seu corpo e suscita reações diversas. “No começo, houve uma certa hostilidade, mas nós seguimos pelas ruas do bairro. Quando chegamos no alto da colina de Montmartre, ao lado da igreja do Sacré-Cœur, teve um momento muito bonito, quando os pintores de rua se aproximaram, tiraram os chapéus, e fizeram uma reverência a Toulouse-Lautrec”, conta.

No entanto, mesmo se é estimado pelos artistas de rua, o pintor levou um certo tempo para ser aceito pelos museus. Prova disso, o número reduzido de exposições sobre seu trabalho.

“Hoje ele é reconhecido no mundo das artes. Mas há 150 anos, quando nasceu, não. A gente não pode dizer que Toulouse-Lautrec faz parte de uma corrente única. Então ele foi rejeitado por muita gente, entre impressionistas e expressionistas”, conta Nina, lembrando que essa rejeição sofrida por Toulouse-Lautrec não é muito diferente da que enfrenta a arte da marionete.

“Quando se fala em marionete, as pessoas pensam em bonequinhos para criança, quem vão fazer vozinhas, e não é só isso. É uma arte sempre em movimento”, explica a artista, lembrando que a disciplina explora temáticas e estilos diferentes.

Além de “O Retorno de Toulouse-Lautrec”, Nina Vogel apresenta duas outras performances a partir da marionete do pintor, e esse ano também está com um novo projeto, intitulado Concordis.

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