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Pintores brasileiros expõem em Paris um "Brasil em transe"

Por Maria Paula Carvalho

Uma exposição na capital francesa reúne obras de 12 artistas que abordam a cultura popular brasileira e a história recente do país. A RFI conversou com Mazé Leite, artista plástica, professora e fundadora do ateliê "Contraponto de Arte Figurativa", de São Paulo, e organizadora da mostra.

Entre os temas abordados estão a música, o teatro, a resistência dos afrodescendentes e comunidade LGBTI. "Brasil em Transe – Pinturas em Óleo", está em cartaz na Galerie Art & Société até o dia 20 de outubro.

“Eu convidei onze alunos para virem comigo expor em Paris. E durante os dois anos de preparação desses trabalhos foram acontecendo muitas coisas no Brasil”, explica a curadora.

“Eu dei liberdade para eles e o resultado foi variado e incrível. Você lê a alma desses artistas através de suas pinturas. Mesmo que sejam obras que denunciem ataques ao meio ambiente ou assassinatos de mulheres e negros, há toda a beleza artística do trabalho”, diz Mazé Leite.

O "Brasil em Transe" é apresentado aos visitantes com uma variedade de abordagens. Temas políticos do Brasil atual inspiraram pinturas, assim como o sofrimento vivido pela população de Minas Gerais após a ruptura de barragens, o genocídio da juventude negra ou a liberação de agrotóxicos na agricultura brasileira.

“Uma aluna fez uma espécie de manifesto artístico político contra a ruptura das barragens de Mariana e Brumadinho, outro aluno se inspirou nas minorias, outro no assassinato da Marielle Franco,” afirma.

A exposição tenta mostrar como artistas usam seus trabalhos como forma de resistência.

“Eu quis pintar uma versão negra do grito do Edvard Munch. Enquanto eu pintava essa tela, um músico brasileiro carioca foi assassinado com 80 tiros pelo Exército. Inspirada por esse episódio, acabei pintando um homem negro gritando como forma de denunciar esse genocídio da população negra”, diz.

O crescimento da arte figurativa

Mazé Leite tem dedicado sua carreira à arte figurativa, tão antiga quanto a própria arte. De maneira geral, essas manifestações artísticas retratam a forma humana, os elementos da natureza, ou objetos criados pelo homem.

“Eu sempre tive uma aproximação maior com a arte figurativa, que faz um contraponto com a arte conceitual e a arte abstrata, porque do meu ponto de vista a realidade é inesgotável. Por mais que você pinte o que você vê, vai ter sempre muita inspiração na realidade”, explica a curadora que se inspira nas obras de Tiziano, Caravaggio, Velázquez e Rembrandt.

“A gente segue a escola dos velhos mestres da história da arte, dando muita ênfase ao movimento da luz na realidade. É ela que determina a forma como uma pintura vai ser executada”, ensina.

Abandonada por várias décadas do século XX por muitos artistas, a arte figurativa começou novamente a interessar inúmeros pintores: em São Paulo, nos últimos 10 anos, foram criadas diversas oficinas que são procuradas por pessoas que desejam aprender desenho e pintura. É o caso da Oficina Contraponto da Arte Figurativa, fundada em 2014.

“A gente tem visto de uns anos para cá aumentar o interesse pelo hiperrealismo, que simula a fotografia. Não é o nosso caso, mas de qualquer maneira está dentro desse conceito de arte figurativa”, conclui.

 

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