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Ao canonizar irmã Dulce, papa Francisco promove humanismo, diz biógrafo da religiosa brasileira

Por Adriana Brandão

Irmã Dulce será canonizada pelo Papa Francisco neste domingo (13), no Vaticano. A religiosa brasileira, natural de Salvador, dedicou mais de 50 anos de sua vida dando assistência aos doentes, pobres e necessitados. Ela foi beatificada pelo Papa Bento XVI, quando passou a ser reconhecida com o título de "Bem-aventurada Dulce dos Pobres". O jornalista Graciliano Rocha é autor da biografia “Irmã Dulce, a santa dos pobres” que chegou às livrarias em setembro pela editora Planeta. Nesta entrevista à RFI ele fala da importância da canonização da primeira santa nascida no Brasil e diz que ao canonizar a Irmã Dulce “o papa Francisco está avalizando valores muito caros que ela representou, como por exemplo o amor ao próximo e o humanismo”.

Graciliano Rocha decidiu escrever a história da Irmã Dulce após assistir em Salvador à missa de sua beatificação, em maio de 2011, que “deu uma amostra da devoção do povo baiano” à religiosa. Ele levou oito anos para terminar o livro que traz, segundo ele, muitas informações inéditas. O jornalista pesquisou arquivos do Brasil, Estados Unidos e do Vaticano, onde ocorreu o processo canônico. Além disso, entrevistou cerca de 100 pessoas que conviveram com ela em momentos diferentes de sua vida, para retratar como a santa era, inclusive, na vida privada.

Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes (1914-1992) nasceu e morreu em Salvador, na Bahia. Em seu livro, Graciliano Rocha lembra que ela vem de uma família privilegiada, descobriu a fé e abandonou o conforto material.

“Obviamente a fé é muito importante na composição da personalidade e do temperamento dela. Ela era uma pessoa muito mística, mas com outros aspectos muito interessantes. Ela era uma pessoa com um senso de humor que florescia (...), adorava tocar sanfona (...) e era uma pessoa muito pragmática, conversava com todo o tipo de gente. Teve esse condão de atrair políticos e poderosos para apoiá-la para construir um hospital público que atendia pessoas muito pobres de Salvador”, revela Graciliano.

A Igreja reconheceu dois milagres atribuídos à Irmã Dulce. O primeiro, em 2010, que levou a sua beatificação, foi a cura de Claudia Cristiane. A moradora do interior de Sergipe teve uma hemorragia brutal no parto do segundo filho, foi desenganada pelos médicos, mas se recuperou. O segundo, que abriu caminho para a canonização, foi o caso de José Mauricio, natural de Salvador que vive em Recife. “Ele estava cego há 14 anos e voltou a enxergar depois que encostou imagem da irmã Dulce nos olhos”, conta o biógrafo.

Milhares de milagres extraoficiais

Os milagres extraoficiais são inúmeros. Segundo a contabilidade de Graciliano Rocha, entre 1992, ano da morte da religiosa, e 2012 mais de 10 mil pessoas relataram ter rezado para a Irmã Dulce e obtido graça. “Muito relatos são graças singelas, do tipo preces para o filho passar de ano sem recuperação ou para um familiar passar num concurso, mas mostram um mosaico muito bonito da fé, da devoção popular”.

Irmã Dulce será a primeira santa nascida no Brasil, mas, lembrando a importância da Irmã Paulina, canonizada em 2002, Graciliano Rocha afirma que “não gosta de estabelecer concorrência entre quem foi mais importante. As duas são mulheres com realizações extraordinárias”. A Irmã Paulina nasceu na Itália, mas realizou sua obra em Santa Catarina e é reconhecida como uma santa brasileira.

“Os santos deveriam interessar mesmo quem não é católico porque, além dos aspectos religiosos, eles guardam um testemunho e um legado muito importante de valores humanistas. Quando você pensa na Irmã Dulce, que fundou um grande hospital na época em que as pessoas não tinham direito à saúde pública e não rejeitava ninguém. Esse é um ato que uma pessoa com fé religiosa pode chamar de amor ao próximo ­– um bonito mandamento cristão. Mas uma pessoa sem fé religiosa deve reconhecer que nisso existe um forte componente de amor à humanidade, de humanismo”, pensa o biografo.

Turismo religioso

Graciliano Rocha vê várias implicações na canonização da nova santa brasileira. Primeiramente, a devoção à Irmã Dulce deve crescer, não só na Bahia, mas em todo o país com o surgimento de igrejas dedicadas a ela. A peregrinação ao santuário de Salvador deve crescer com um impacto em termos de turismo.

Institucionalmente para a igreja, ele ressalta que “uma canonização é sempre uma declaração dos valores que cada papa quer promover. Ao declarar a Irmã Dulce santa, o papa Francisco está avalizando valores muito caros que a irmã Dulce representou, como por exemplo o amor ao próximo e esse humanismo a que me referi”.

A biografia “Irmã Dulce, a santa dos pobres”, chegou às livrarias um mês antes da cerimônia de canonização em Roma. Coincidência, estratégia editorial ou mais um “milagre extraoficial” da santa? “Coloquei o ponto final em abril. Em maio a Santa Sé divulgou a notícia que o papa decidiu reconhecer um segundo milagre e resolveu canonizar a irmã Dulce. Obviamente eu não sabia. Cabe a cada um decidir. Se a pessoa não tem fé religiosa pode ver nisso uma coincidência incrível; se a pessoa tem pode ver o dedo da santa Dulce nisso”, pontua Graciliano Rocha.

O livro "Irmã Dulce, a santa do pobres" de Graciliano Rocha, editado pela Planeta, chegou às livrarias brasileiras em setembro. RFI

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