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Curador expõe fotógrafos brasileiros da nova coleção da Biblioteca Nacional da França em "Terra Brasilis"

Por Márcia Bechara

Galerista internacional há 25 anos, Ricardo Fernandes é curador da coleção de fotografia contemporânea brasileira da Biblioteca Nacional da França (BnF). À frente da exposição Terra Brasilis, que abre suas portas neste sábado (2), em Paris, ele convoca a inspiração de uma série de fotógrafos brasileiros para retratar a diversidade.

Segundo Ricardo Fernandes, a proposta principal da exposição Terra Brasilis é a promoção dos artistas que estão entrando na coleção da Biblioteca Nacional da França, onde ele é curador ao lado da diretora curatorial, Hélöise Conesa. "Nós tentamos, através deste trabalho que vai durar uns cinco anos de pesquisa, criar um denominador comum em termos de cultura brasileira, de produção fotográfica contemporânea, do pós-modernismo até os dias de hoje", conta.

"O foco é a fotografia contemporânea, mas claro que passamos um pouco pela história para contar o processo até se chegar lá", diz Fernandes. O curador e galerista lembra que a França tem uma tradição mundial de fotografia, inclusive em relação ao Brasil. "A França é uma grande influenciadora da nossa fotografia. De um cinco anos para cá, o país, e a cidade de Paris, têm um olhar especial para os fotógrafos brasileiros. O interesse é mais intenso, existe mais curiosidade sobre o que está sendo produzido no Brasil", diz.

"De uma forma geral, Brasil e França sempre foram grandes parceiros culturais. Atualmente, eu entendo que existe uma grande troca entre as instituições culturais francesas e brasileiras, com um interesse especial na América Latina e nessa internacionalização de coleções institucionais", analisa Fernandes.

Visibilidade

Para o galerista, o fato do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado ter recebido o Prêmio da Paz do Comércio Livreiro alemão, na Feira de Frankfurt, uma das maiores honrarias do país, e de ter se tornado um imortal das artes na França, em 2017, ajudam a promover ainda mais a fotografia brasileira na Europa.

"Considero o Sebastião Salgado um embaixador da cultura brasileira, de uma forma geral, principalmente da fotografia. Ele desperta, através do trabalho dele, não somente uma curiosidade sobre a técnica artística da fotografia, mas também uma curiosidade sobre a cultura do país", afirma. 

Brasileiros que entram este ano na coleção da Biblioteca Nacional da França

"A cada ano, teremos um foco diferente a partir dos artistas que entram na coleção da BnF. Este ano, trabalhamos com 14 artistas, entre eles Alexandre Sequeira, Andrea Eichenberger, Cristiano Xavier, Lucia Adverse, Felipe Fittipaldi, Feco Hamburger, uma lista extensa e sólida de artistas consolidados, grandes nomes da fotografia brasileira", conta.

"O grande destaque desse conjunto é a diversidade brasileira, tanto estética quanto social. Isso é um grande desafio. A ideia é trabalharmos com mulheres, LGBTs, jovens, todos dentro de uma linha conceitual daquilo que é o trabalho fotográfico, mas que seja aberta a todos", diz Fernandes.

"É um grande desafio porque a elitização brasileira é complicada nesse sentido. Nós temos sempre o homem branco europeu como referência. Tentamos de uma forma bem ampla diversificar isso, com uma linha rígida na manutenção da qualidade da coleção", avalia.

"Infelizmente, passamos por um processo político complicado [no Brasil], e a arte é um dos primeiros setores que sofrem quando existe uma repressão política. Mas acredito que nossas atitudes no exterior nos ajudam a pressionar culturalmente o Brasil", acredita o curador. "Não são atitudes partidárias, mas políticas e artísticas", diz Ricardo Fernandes.

A exposição Terra Brasilis fica em cartaz na Galerie Delphine, em Saint Ouen, até o dia 1° de dezembro de 2019.

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