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Claudia Jaguaribe lança livros de fotografia sobre mulheres e meio ambiente em Paris

Por Paloma Varón

Claudia Jaguaribe é fotógrafa brasileira reconhecida internacionalmente. Seus trabalhos estão expostos nos principais museus e galerias do Brasil e da Europa. Claudia tem 15 livros publicados e vai lançar alguns deles na capital francesa no evento “A fotografia brasileira em Paris”.

Formada em história da arte, artes plásticas e fotografia pela Boston University, Claudia desenvolve um trabalho voltado para a paisagem urbana, o meio ambiente e para a representação do real enquanto um registro conceitual.

“A gente está com uma oportunidade bastante interessante de fazer um lançamento conjunto, com alguns fotógrafos brasileiros, porque a fotografia brasileira é crescentemente reconhecida e aqui na França a gente já entende que tem um espaço importante”, diz a fotógrafa.

Ela foi convidada pelo grupo Iandê, de fotografia brasileira, junto com os fotógrafos Joaquim Paiva, José Diniz e Shinji Nagabe, para lançar os livros no contexto do salão de fotografia Paris Photo, que acontece de 7 a 10 de novembro.
Claudia trouxe para Paris trabalhos de dois projetos diferentes que ela vem desenvolvendo nos últimos anos.

O primeiro é consequência da exposição “The nature of things” (A natureza das coisas). “São dois portfólios, que foram feitos para uma exposição que acabei de fazer na Bélgica sobre a natureza enquanto forma perfeita e também a sua destruição. Este trabalho aborda desde florestas virgens até a situação de Mariana e Brumadinho com a entrada da lama.”

Mulheres imigrantes

“O outro conjunto de trabalho que lanço aqui hoje são dois livros, que farão parte de uma trilogia sobre três mulheres artistas que foram ao Brasil nos anos 50 e se tornaram pilares da arte brasileira: a Lina Bo Bardi, a Luiba Wolf e a Clarice Lispector”, relata.

“Minha ideia por trás disso é discutir um pouco a questão da imigração – tema tão forte aqui na Europa atualmente – e mostrar como, neste caso, a imigração se tornou uma coisa extremamente favorável para todos”, explica.

“É um diálogo: eu, fotógrafa contemporânea, e com a herança destas mulheres que foram ao Brasil na década de 50.”

Problemas e privilégios

Claudia faz reflexões sobre a dualidade entre a natureza e a vida nos grandes centros urbanos.

“A questão da natureza, no meu trabalho, não é só no sentido de destruição. É também sobre o processo que a gente está passando de virtualização no mundo. Eu acho interessante a questão não só pelo ponto de vista ambiental, mas pela questão de que a gente esta ficando cada vez mais longe da natureza. Cada vez mais vivendo uma vida tecnológica”, analisa.

No caso do Brasil, a fotógrafa enxerga ainda mais contradições.

“Eu acho que o Brasil tem todos os problemas e tem também muitos privilégios. Para começar, o Brasil é provavelmente o único país do mundo que ainda tem 65% de suas florestas originais. Se você for olhar os países europeus, eles têm 5% ou menos”, diz.

“Ao mesmo tempo, no Brasil, o crescimento vem de uma forma extremamente desordenada. As cidades não são programadas, não têm sequer esgoto. Na cidade de são Paulo no Morumbi, um dos bairros mais ricos do Brasil, não tem esgoto ainda em vários lugares. Então você tem esta discrepância entre possibilidades infinitas e uma realidade às vezes muito dura”, acrescenta.

“Mas eu acho, no Brasil, independentemente do governo que esteja agora no momento, as pessoas têm cada vez mais consciência na questão ambiental”, conclui a fotógrafa, para quem o interesse pela fotografia brasileira só faz crescer no mundo inteiro.

Os trabalhos da fotógrafa Claudia Jaguaribe estão expostos em diversos museus e coleções brasileiras e internacionais, tais como: Museu de Arte Moderna de São Paulo, Inhotim – Instituto de Arte Contemporânea, em Brumadinho, Itaú Cultural, Instituto Moreira Salles, no Rio de Janeiro, Victoria and Albert Museum, em Londres, Maison Européene de la Photographie, em Paris, Instituto Ítalo Latino Americano, em Roma e Hangar art center, em Bruxelas, entre outros.

 

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