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Casino vota contra projeto de fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour

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Na saída da reunião, o empresário brasileiro Abílio Diniz não quis comentar a possível desistência do projeto de fusão da CBD com o Casino pelo BNDES . Reprodução do jornal Le Figaro

Todos os sócios do grupo francês Casino, à exceção do brasileiro Abílio Diniz, rejeitaram hoje a proposta de fusão da brasileira CBD/ Pão de Açúcar com a distribuidora Carrefour, principal concorrente do Casino. O conselho de administração da gigante francesa votou a proposta na presença de Diniz, que veio a Paris para participar da reunião. 


A decisão do conselho foi anunciada por comunicado à imprensa ao final da reunião do conselho de administração do grupo francês Casino, sócio de Diniz na CBD. O encontro, na sede da empresa em Paris, foi convocado em caráter extraordinário para tratar sobre a possível fusão do Pão de Açúcar com o Carrefour, principal concorrente do Casino.

No texto divulgado, o Casino diz que o Conselho de Adminstraçãdo do grupo constatou, "por unanimidade, com exceção do senhor Abílio Diniz, o projeto é contrário aos interesses do Pão de Açúcar e de seus acionistas.

A reunião durou pouco mais de duas horas. Ao término do encontro, o empresário Abílio Diniz falou rapidamente com a imprensa. Ele disse que não concordava com os estudos apresentados durante a reunião e insinuou que não houve brechas para um acordo amigável com o sócio francês.

"Não estou de acordo com os estudos que foram feitos aqui pela Roland Berger e outros. Acho que não representam a realidade. Mas eu não quero fazer criticas", afirmou.

Segundo o Casino, projeções elaboradas por empresas de consultoria sobre os aspectos econômicos da possível fusão com o Carrefour indicam que o projeto não é interessante para o Pão de Açúcar e seus acionistas.

Entre os pontos negativos, o Casino destaca o desenvolvimento geográfico em zonas de pouco crescimento e a concentração excessiva que a fusão  poderá gerar em estados como Rio de Janeiro e São Paulo. Ele também contesta a inserção internacional do grupo, já que 2/3 do faturamento total do Carrefour seria reaizado na Europa, um mercado em crise.

O empresário Abílio Diniz esteve em Paris somente para participar da reunião do Conselho de Administração do Casino e deveria deixar a capital francesa ainda ontem. Questionado sobre a suposta decisão do governo brasileiro de pedir ao BNDES que recuasse no financiamento do projeto, Diniz disse que não tinha "nada a dizer" sobre o assunto.

A direção do Carrefour, por sua vez, afirmou que por enquanto não vai se pronunciar sobre o recuo do governo brasileiro. A repercussão da decisão brasileira foi imediata na bolsa de valores de Paris: as ações do Carrefour estão perdendo cerca de 3,12% na bolsa, enquanto as do Casino registram um recuo menos acentuado, com baixa de 1,7%.

O Brasil é um mercado estratégico para os dois grupos franceses. Para o Carrefour, é o segundo maior mercado depois da França e representa 12% das vendas totais do grupo. Já o Casino fatura no Brasil um terço de suas vendas.

Entretanto, a bolsa de Paris, assim como as demais bolsas europeias, enfrentam um dia de forte turbulência nesta terça-feira, por causa da crise da dívida nos países da zona euro. Depois de Grécia, da Irlanda e de Portugal, Itália e Espanha enfrentam dificuldades para tomar empréstimos nos mercados e refinanciar suas dívidas.