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Apesar de turbulência cambial, economistas descartam “crise nos emergentes”

Por Lúcia Müzell

Crescimento abaixo do esperado, balança comercial em queda, inflação em alta e, mais recentemente, desequilíbrio cambial. O boom das economias emergentes parece estar com os dias contados, mas os economistas ainda hesitam em adotar a expressão crise nos países como Brasil, Turquia, Índia e África do Sul.

Na semana passada, a segunda onda redução dos estímulos à economia americana pelo Banco Central despencou o câmbio na Argentina, na Venezuela e na Turquia e, em menor grau, atingiu também os demais países menos industrializados. A situação elevou os temores de um contágio para outras grandes economias emergentes, mas na opinião de Carlos Winograd, pesquisador associado da Paris School of Economics e especialista nos países latinoamericanos, os casos argentino e venezuelano são muito específicos.

“São países que tiveram políticas econômicas que exacerbaram os desequilíbrios. As consequências agora podem ser vistas. A diferença entre as dificuldades de Argentina e Venezuela e as que países como o Brasil, Chile ou o Uruguai poderiam ter são absolutamente diferentes”, constata. “No caso do Brasil, embora tenha desafios muito sérios pela frente, na administração, ele está em uma posição muito mais forte para enfrentar esses problemas.”

As preocupações sobre um eventual efeito dominó nos países emergentes são injustificadas, pelo menos por enquanto, na visão de Leonardo Weller, pesquisador sobre crises financeiras da Fundação Getúlio Vargas. “Eu acho que tem uma crise na Argentina e na Venezuela, países que controlam o capital há anos e gastam muito mais do que arrecadam e que financiam isso com emissão monetária, o que causa inflação. É essa inflação que corrói o poder de compra da moeda deles”, resume. “No caso dos outros países, os emergentes de verdade, não se trata exatamente de uma crise, mas de um momento de saída de capital e de depreciação cambial, em função da política monetária americana.”

Boa notícia para exportações

Com a retomada da economia americana, os investidores tendem a voltar para os Estados Unidos e deixar os países emergentes, provocando a instabilidade cambial. Os especialistas concordam que a alta de juros é o remédio mais adequado para conter a desvalorização cambial. Para Weller, a queda do real, da lira turca ou da rúbia indiana não deve durar mais muito tempo, e é até positiva.

“A depreciação cambial nestes países, principalmente no Brasil, é muito mais uma correção da taxa de câmbio do que um problema. Com a desvalorização, os exportadores desses países vão conseguir exportar mais, o que vai gerar crescimento econômico”, avalia.

No caso do Brasil, Winograd aconselha o governo a melhorar a gestão das contas públicas e o ambiente de negócios para evitar que a situação se deteriore. “O cenário para países grandes como o Brasil, que têm limitações nos ganhos de produtividade em setores da economia, uma maior fragilidade fiscal e situação nas contas externas não tão robustas como no passado vai exigir uma excelente gestão econômica e mudanças intensas nas estruturas de incentivo nos setores de infraestrutura, logística”, afirmou. “Não sei se o governo será capaz de fazer isso, porque vai ser necessário mudança de percepção sobre essas questões.”

Neste momento, a intensidade das turbulências internacionais passa pelas mãos de uma mulher, Janet Yellen. Ela assumiu ontem a presidência do Banco Central dos Estados Unidos, e tem como principal desafio escolher o ritmo adequado para acabar com política expansionista americana, sem desencadear uma nova crise na economia e no sistema financeiro mundial.
 

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