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Guerra pelo dinheiro do futuro movimenta economia digital

Por Lúcia Müzell

Pagar o pão da padaria com cartão de crédito, a corrida do táxi com o celular e as compras na loja preferida apenas informando o nome. Para especialistas em tecnologia, não restam dúvidas: o dinheiro em papel está com os dias contados. A interrogação é saber que método vai substituir de vez as velhas cédulas, inclusive para os pequenos gastos do dia a dia.

Durante décadas, quem se interessava por essas questões eram apenas os bancos. Hoje, o setor se transformou em uma guerra de inovação na qual se somaram gigantes de tecnologia, fabricantes de eletrônicos e operadoras de telecomunicações.

Na França, a migração para os cartões bancários sem contato, equipados de NFC, a sigla para Near Field Communication, está a pleno vapor. Com essa ferramenta, não é preciso digitar a senha para compras até 20 euros (60 reais) e basta encostar o cartão no sensor da máquina.

No ano passado, o governo francês baixou o limite para os pagamentos em espécie de 3.000 para 1.000 euros, incluindo para gastos como aluguel. Por enquanto, 11% das lojas do país estão equipadas com o sistema. Mas é provável que antes mesmo de a tecnologia se generalizar, outras formas de pagamento digital ganhem terreno.

Bolsos vazios

A assistente de produção audiovisual Beatriz Viveiro-Schroeder praticamente não retira mais dinheiro vivo nos caixas-eletrônicos de Paris, onde mora. “Aqui, os supermercados aceitam cartões a partir de 1 euro (3 reais), portanto sei que seu não tiver trocado, posso sempre pagar com cartão”, conta. “Não tenho mais o costume de retirar dinheiro. Ando com não mais do que 10 euros (30 reais) na carteira.”

O professor de Administração da USP Martinho Ribeiro de Almeida, especialista em inovação, tem certeza de que a época em que as pessoas andavam com grandes somas de dinheiro na carteira está perto do fim, inclusive para combater o crime. “Talvez restem apenas moedas, montantes pequenos, para coisas menores. Vai ser muito prático não de carregar o papel”, afirma. “Todas as coisas ilícitas acabam passando pelo dinheiro em papel, para que não se possa registrar as operações. Drogas, roubos, corrupção – tudo isso passa por dinheiro físico.”

Economias

Almeida já dirigiu teses sobre o fim das cédulas e fez consultorias para o governo para avaliar o quanto o país vai economizaria quando as transações financeiras forem apenas digitais, considerando a queda da sonegação fiscal, dos gastos com a gestão do dinheiro e a redução dos custos de administração para a administração pública e as empresas.

“A economia é de 5% do PIB nacional. Hoje, existe uma série de medidas de contabilidade fiscal e de controles nas empresas somente para se poder fazer a declaração dos impostos. Tudo isso tem um custo”, explica o pesquisador. Segundo ele, o fim das cédulas vai fazer com que o governo informe diretamente as empresas sobre o imposto devido, e não o contrário, como atualmente.

A economia também será alta para os bancos, que diminuirão os custos com caixas-eletrônicos e segurança de transporte de fundos. Por fim, os gastos para a manutenção das notas vai despencar. “Gasta-se cerca de 17% do volume monetário por ano só para fazer manutenção das moedas”, destaca Almeida.
 

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