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Zona do euro tem crescimento zero no segundo trimestre de 2014

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O presidente do BCE, o italiano Mario Draghi. REUTERS/Francois Lenoir

A zona do euro teve crescimento zero no segundo trimestre do ano. A confirmação foi feita nesta sexta-feira (5) pela agência europeia de estatísticas Eurostat. Este cenário deve mudar com as medidas inéditas de estímulo ao crédito anunciadas ontem pelo Banco Central Europeu (BCE).


A BCE também reviu para baixo sua previsão de crescimento na zona do euro em 2014, que passa agora para 0,9% contra 1% anteriormente. A estagnação do segundo trimestre acontece após uma expansão de 0,2% nos três primeiros meses do ano. 

Entre os países membros do bloco, os que tiveram maior crescimento no período foram Malta (+1,3%) e Letônia (+1%). Portugal deu sinais de melhora, com crescimento de 0,6% no segundo trimestre, contra uma retração de 0,6% no período precedente. Já a Espanha teve sua maior expansão trimestral do PIB desde 2007 (+0,6%).

A estratégia do BCE de enfraquecer o euro e favorecer a retomada do crescimento no bloco dá sinais de resultado. A moeda única europeia segue em tendência de queda frente ao dólar, cotada abaixo de US$1,30 na manhã desta sexta-feira.

Os mercados reagem bem às medidas consideradas históricas anunciadas ontem pelo BCE. Diante da ameaça de deflação e de estagnação na zona do euro, a instituição com sede em Frankfurt reduziu sua principal taxa de juros a 0,05% e anunciou um programa inédito de compra de títulos. O objetivo é facilitar o acesso ao crédito e, com o euro mais fraco, favorecer as exportações europeias.

Repercussão positiva

A imprensa francesa recebeu com entusiasmo as decisões do BCE. O diário econômico Les Echos afirma nesta sexta-feira que as medidas de política monetária tomadas pelo banco tiveram "o efeito de uma bomba". A instituição surpreendeu a todos ao baixar sua taxa de juros para um nível jamais visto. Segundo o jornal, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o governo francês, que se queixa há muito tempo do excesso de valorização do euro, aprovaram as medidas, mas a Alemanha acolheu com frieza essa cartada do presidente Mario Draghi.

Para o Le Figaro, Draghi mostra sua artilharia pesada a fim de relançar a economia europeia. O "Super Mario", como o dirigente italiano é chamado pelo jornal, voltou inspirado das férias de verão e se cansou dos discursos acadêmicos. Agora, ele passou para as ações concretas, com anúncios bombásticos que sempre agradam aos mercados. Prova disso, segundo o jornal conservador, é que o euro já caiu ontem para menos de US$ 1,30, como queriam muitos governos europeus.