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Dólar alto ajuda retomada econômica europeia

Por Lúcia Müzell

Com o dólar alto, é a Europa quem ganha. A moeda norte-americana chega à cotação mais alta em 12 anos, uma boa notícia para os exportadores europeus e para estimular a retomada econômica no bloco.

A situação é resultado da conjunção das ações do Banco Central Europeu (BCE) e do americano (Fed): nos Estados Unidos, a redução dos estímulos à economia fortalece o dólar, enquanto que, do outro lado do Atlântico, os índices historicamente baixos dos juros adotados pelo BCE fazem o euro recuar.

A indústria europeia se torna mais competitiva no cenário internacional, favorecendo as exportações. Essa conjuntura pode ocasionar um efeito positivo no bloco a médio prazo, na opinião de Christophe Blot, economista especialista em política monetária e crise financeira internacional da Sciences Po de Paris.

“A zona do euro está penando para voltar a ter crescimento da demanda interna, o investimento continua pouco dinâmico e o consumo está fraco. Uma maneira de obter um crescimento extra é através do comércio exterior, que pode, em um segundo momento, trazer uma dinâmica virtuosa, de estímulo ao investimento, ao consumo e de redução do desemprego”, explica. “Para o conjunto da zona do euro, a queda do euro em relação ao dólar é uma boa notícia.”

Christophe Destais, professor de Finanças e diretor-adjunto do Centro de Estudos Prospectivos e de Informações (CEPII), adverte que, apesar da crise, a Europa não importou mais do que exportou nos últimos anos. Por isso, o impacto positivo no aquecimento da indústria tende a ser limitado.

“Globalmente, a zona do euro não está em déficit comercial, à exceção de alguns países. Mas outros, como a Alemanha, têm um forte excedente, e no conjunto, a zona do euro está com a balança comercial positiva”, afirma. “Portanto, essa única razão não justifica termos um euro depreciado. Essa situação pode ser fonte de preocupação, se durar muito tempo.”

Euro depreciado até 2016

O euro fraco em relação ao dólar é um fenômeno que deve se prolongar pelo menos até 2016, na avaliação de Blot. O Fed não demonstra a intenção de agir para evitar a subida da moeda norte-americana.

“Parece que esse movimento do euro será duradouro. Talvez ele não fique em um nível tão baixo quanto hoje, mas certamente se manterá bem abaixo de US$1,40 por euro. A razão para isso é simples: a política monetária do Banco Central Europeu está muito agressiva e bem mais expansionista que a norte-americana”, constata.

Dívida mais cara para alguns

Em muitos países, incluindo o Brasil, o dólar caro aumenta o valor das dívidas, quando cotadas na moeda norte-americana. Essa situação pode ser desfavorável para alguns setores empresariais europeus que negociam em euro, como o da aeronáutica. Mas não é o caso dos governos europeus, que estão praticamente imunes a este impacto.

“A maioria dos governos europeus têm dívida pública em euro, assim como as famílias e as empresas. A zona do euro não está exposta a esse tipo de problema, como aconteceu com os países asiáticos, a Argentina e o México nos anos 90 e 2000”, ressalta Blot.

Guerra de moedas

Os dois economistas são categóricos: não há uma guerra de moedas em curso, ao contrário do que alguns analistas já evocam, dos dois lados do Atlântico. Destais sublinha que nem os americanos nem os europeus tomaram medidas com o objetivo deliberado de manipular a taxa de câmbio.

“É claro que, nas recentes decisões monetárias na Europa e nos Estados Unidos, os efeitos sobre o câmbio foram considerados. Mas não houve a vontade de que as taxas de câmbio se afastem dos fundamentos”, avalia.

 

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