rfi

Ouvindo
  • RFI Brasil
  • Último jornal
  • RFI em francês
Economia
rss itunes

Autoridades brasileiras negligenciam escândalo do HSBC, diz senador

Por Lúcia Müzell

Dois meses depois da explosão do escândalo das contas sigilosas no HSBC da Suíça, o Brasil espera conseguir das autoridades francesas os dados sobre os brasileiros que mantinham dinheiro no país europeu, no que ficou conhecido como SwissLeaks. Na avaliação do senador Randolfe Rodrigues, vice-presidente da CPI criada no Senado para apurar irregularidades no caso, as autoridades brasileiras “negligenciaram” as denúncias, feitas por jornais do mundo inteiro.

A Procuradoria-Geral da República vai enviar representantes para Paris nos próximos dias para conversar com os procuradores financeiros franceses que investigam o caso. O objetivo é retornar para o Brasil já com os dados em mãos.

A Receita Federal também mandou uma missão à capital francesa para recolher as informações tributárias dos clientes brasileiros, que teriam mais de US$ 7 bilhões na Suíça entre 2006 e 2007, o período ao qual se referem as informações vazadas. A França possui todos os dados relativos ao escândalo, depois que o ex-funcionário do banco britânico Hervé Falciani procurou as autoridades do país para informar sobre as práticas ilegais da instituição financeira.

O senador do PSOL avalia que o interesse do Brasil pelo caso “não está à altura do escândalo”, apontado como a maior denúncia de evasão fiscal da história. “Eu sinto que há, por parte das autoridades brasileiras, uma certa negligência em relação ao assunto. O depoimento, na semana passada, do presidente do Coaf [Conselho de Controle de Atividades Financeiras] e do secretário da Receita Federal mostrou que o sistema de arrecadação no Brasil é uma verdadeira peneira, o que justificou que essas contas fossem registradas na Suíça sem nenhum acompanhamento das autoridades brasileiras”, ressalta.

Franceses à espera

Rodrigues afirma que, desde o pedido formal pelo acesso à lista, há cerca de 15 dias, a França preparou o dossiê brasileiro para ser entregue às instituições competentes do país. O senador se reuniu com o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, na semana passada, para tratar sobre o assunto.

Janot teria se comprometido a compartilhar com a CPI a lista de nomes de clientes brasileiros. A primeira tarefa a cumprir será decodificar e cruzar os dados, para identificar os correntistas que ocultaram as contas e os recursos no exterior. A existência de outros crimes financeiros também será apurada, segundo o parlamentar.

“Em decorrência do contato que ele já fez com as autoridades francesas, não teria dificuldades [em obter a documentação]. Nós teremos um encontro na embaixada francesa para reforçar os pedidos do procurador”, indica. “Estamos bem otimistas de que o procurador vai voltar de Paris com essas informações.”

Repatriação de recursos

O senador espera que, no futuro, “pelo menos a metade” do dinheiro dos brasileiros nas contas suíças possa ser repatriado. Desde o ano passado, antes da divulgação do escândalo, a Receita Federal foi informada sobre uma amostra de 342 nomes, de um total de 8.667 clientes brasileiros sob suspeita.

Em depoimento à CPI na semana passada, o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, não explicou por que o governo não solicitou as informações oficiais à França desde 2008, quando os franceses recolheram os dados de Hervé Falciani.
 

Economia solidária atrai profissionais qualificados em busca de “mudar de vida”

Privatizações de serviços e aposentadorias sufocaram poder de compra dos chilenos

Portugal: “milagre econômico de esquerda” terá novos desafios após a crise

Guerra comercial EUA-China favorece algodão do Brasil, que se torna 2º exportador mundial

Fechamento de duas aéreas francesas evidencia desafios de low cost intercontinentais

Envelhecimento na Europa causa impacto na economia e exige reformas de aposentadorias

Marcas de fast fashion oferecem conserto, reciclagem e revenda de roupas

Franceses são maiores empregadores estrangeiros no Brasil; rixa prejudica novos negócios

Baixar alíquota máxima do IR seria mais um “presente para os ricos”, diz discípulo de Piketty

No 1º salão após venda à Boeing, Embraer foca em defesa, jatos e inovação

Em meio a cortes na Defesa, governo acerta compra de mísseis europeus por € 200 mi

Cortes do governo Bolsonaro prejudicam agricultura familiar, apontam especialistas na FAO