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BC da China corta juros e reservas obrigatórias; bolsas europeias sobem

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As bolsas da China voltaram a registrar forte queda nesta terça-feira (25). REUTERS/Stringer

O Banco Central da China (PBOC) anunciou nesta terça-feira (25) um novo corte das taxas de juros, o quinto desde novembro, e reduziu as reservas obrigatórias dos bancos, em uma tentativa de conter a queda das bolsas de valores locais. A partir de quarta-feira, as taxas de juros dos empréstimos com prazo de um ano e as taxas dos depósitos de 12 meses passarão a 4,6% e 1,75%, respectivamente, informa a instituição em seu site.
 


O POBC também reduzirá em 0,50% o "ratio" das reservas obrigatórias que algumas instituições financeiras devem manter. Com essas medidas, os bancos terão mais dinheiro para empréstimo e o mercado local receberá uma injeção maciça de liquidez. As autoridades monetárias chinesas esperam, dessa foma, acalmar o vendaval que tomou conta das bolsas desde junho. 

O anúncio das medidas fez as bolsas europeias decolarem. Às 14h, no horário de Paris, as bolsas de Frankfurt e Paris operavam em alta de 4%. Londres também ganhava 3%.

Nos mercados asiáticos, a degringolada continuou nesta terça-feira, principalmente nas bolsas chinesas. A bolsa de Xangai voltou a fechar em baixa de 7,6%, depois de despencar 8,5% na véspera. A bolsa de Shenzen, a segunda maior da China, recuou 7,1%. Outras bolsas asiáticas limitaram suas perdas. Tóquio ainda fechou em baixa de 3,9%, mas a bolsa de Hong Kong subiu 0,72%, Seul encerrou as operações com ganho de 0,9% e Sydney de 2,7%.

Europeus confiantes

O ministro da Economia alemão, Sigmar Gabriel, também vice-chanceler do país, relativizou o impacto da crise das bolsas chinesas na retomada do crescimento na Europa. "A parte da China nas exportações da Alemanha é de 8%, enquanto para a zona do euro é de 40%", lembrou Gabriel. 

Na manhã desta terça-feira, o presidente francês François Hollande disse que confia no poder recuperação da economia chinesa e que o crescimento do país asiático, mesmo que mais fraco, continua sendo invejável. Já o ministro da Economia francês, Emmanuel Macron, previu pelo menos seis meses de crescimento "muito fraco" da China e uma possível valorização do euro como consequência.

Ajuste chinês

Embora os economistas estejam divididos sobre o futuro do modelo econômico chinês, ancorado na expansão da classe média, muitos analistas observam que as bolsas chinesas passam por um momento de correção após 30 anos de crescimento do país em patamares superiores a 10% ao ano.

Apostando no milagre econômico chinês, houve uma corrida dos investidores para as bolsas asiáticas, e agora que a atividade entra num ritmo de crescimento menos exuberante, a tendência é de ajuste. Os otimistas lembram que fatores como o petróleo mais barato, os juros baixos e a retomada do crescimento na Europa são elementos favoráveis que afastam o temor da reedição de uma nova crise mundial como a de 2007.

Os sinais também são positivos nos Estados Unidos. A China e os emergentes vão continuar sofrendo ajustes, demonstrando mais uma vez que milagre econômico não existe.

Em um comunicado, o banco americano de investimentos Goldman Sachs estima que a queda dos preços das matérias-primas, a desaceleração do crescimento na China e a desvalorização das moedas nos países emergentes, que ainda vai continuar por um período, não vão empurrar o mundo para uma nova recessão global.