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Quénia Conferência OMC Rodada Doha

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Futuro da rodada Doha divide ministros da OMC reunidos no Quênia

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Roberto Azevêdo, Diretor-Geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), e a ministra queniana das Relações Exteriores, Amina Mohamed, participam da abertura da conferência de Nairóbi, Quênia, neste 15 dezembro de 2015. REUTERS/Noor Khamis

Os 162 países que integram a Organização Mundial do Comércio (OMC) chegam muito divididos para a conferência ministerial que começa nesta terça-feira (15) em Nairóbi, no Quênia. O objetivo principal da reunião de três dias é desbloquear a rodada Doha, paralisada há 14 anos. Essa é a primeira vez que uma conferência da instituição, dirigida pelo brasileiro Roberto Azevêdo, acontece na África.


A conferência de Nairóbi acontece dois anos depois que os ministros da OMC conseguiram firmar em Bali um acordo aduaneiro que supostamente deveria estimular o comércio mundial. Eles voltam a se reunir agora para tentar relançar a rodada Doha que visa liberalizar o comércio mundial multilateral. O bloqueio das negociações tem levado, nos últimos anos, os países a negociar acordos regionais à margem da OMC , fazendo concorrência direta com a organização baseada em Genebra.

Como a rodada Doha, lançada em 2001, está paralisada, alguns participantes consideram a conferência de Nairóbi a última oportunidade para resgatar as negociações. A reunião na capital do Quênia "é vital para o futuro da OMC", garantiu na semana passada Cecilia Malmstroem, Comissária europeia para o comércio mundial.

Poucas esperanças de desbloquear a rodada Doha

Os encontros preparatórios para a conferência ministerial, realizados em Genebra nas últimas semanas, não trouxeram avanços que possam levar a resultados positivos em Nairóbi, informou à AFP uma fonte próxima da OMC. Matthias Fekl, secretário de Estado francês para o comércio exterior, confirma o clima de pessimismo. Ele afirmou "ter pouquíssimas esperanças de que um acordo amplo" seja obtido.

Outra fonte bem informada acredita que durante o encontro" se falará da agenda de Doha, de seu futuro, do programa de trabalho do ano que vem, dos subsídios às exportações do setor agrícola que teriam que ser eliminados e das medidas adotadas em favor dos países menos avançados". Há uma divisão entre os que querem continuar negociando a todo custo Doha, apesar dos magros resultados conseguidos até hoje, e os que querem introduzir mudanças e novos caminhos. Essa rodada para a liberalização do comércio mundial "foi um fracasso" e é necessário desenvolver "novos enfoques", opinou nesta segunda-feira (14), em um artigo do Financial Times, o representante especial dos EUA para o Comércio, Michael Froman.

Compromisso possível sobre subsídios às exportações

Um acordo sobre os subsídios às exportações pode ser possível em Nairóbi. Há uma proposta sobre o tema, elaborada por União Europeia e Brasil, e apoiada por Uruguai, Paraguai, Peru, Argentina e Nova Zelândia, que os norte-americanos podem aceitar, indicou uma fonte diplomática. Os ministros também debaterão uma série de medidas específicas destinadas aos países mais pobres do mundo, chamados PMA (países menos avançados). Os Estados Unidos já concedem um tratamento especial aos PMA africanos, mas são reticentes a estender esse direito aos asiáticos, membros do mesmo grupo.

Nessa conferência ministerial, dois novos Estados assinarão formalmente sua ata de adesão à OMC: Libéria e Afeganistão. A cerimônia de assinatura vai contar com a presença da presidente de Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, e do chefe de governo afegão, Abdalah Abdalah.