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Temer prepara o terreno para medidas econômicas mais duras

Por Lúcia Müzell

Diante da insatisfação crescente dos empresários e dos mercados com a falta de medidas mais rigorosas para atingir o equilíbrio fiscal, o presidente interino Michel Temer volta a sinalizar a intenção de apertar o cerco das contas públicas.

Depois de uma maratona de encontros com algumas das maiores fortunas do país, Temer antecipou que vai anunciar uma lista de 25 privatizações que pretende realizar tão logo o impeachment da presidente Dilma Rousseff for confirmado.

Já o ministro inteiro da Casa Civil, Eliseu Padilha, ressaltou a importância de uma reforma da Previdência, sem a qual “não haverá mais garantia” do pagamento dos benefícios. Com isso, o Planalto sinaliza que, depois de três meses de governo provisório, vai querer assumir a sua marca assim que a saída de Dilma for confirmada no Senado.

O economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, aposta em uma alta da carga tributária já neste ano. “De fato, temos o governo Temer cauteloso em colocar algumas medidas menos populares. Eles estão esperando passar alguns eventos – a Olimpíada, o impeachment e as eleições municipais”, nota. “Mas, depois, não tenho dúvidas de que teremos algum tipo de elevação dos impostos, sem contar o encaminhamento de algumas reformas bastante controversas, em especial da Previdência.”

Por conta da impopularidade de mudanças nas aposentadorias, Perfeito espera que as alterações serão pouco ambiciosas e não atacarão o problema mais profundo da pasta, os benefícios dos funcionários públicos. Da mesma forma, o economista acha que Temer deve mexer na CLT (Consolidação Nacional do Trabalho), porém não teria sustentação para fazer cortes bruscos nos direitos trabalhistas.

“Eles vão ter de entregar ou, pelo menos, apresentar algum tipo de reforma, porque o mercado de capitais já está perdendo a paciência com o governo Temer, digamos”, afirmou o analista. “Parece que a situação está boa porque o preço dos ativos está bastante no lugar, o dólar está caindo, a bolsa está subindo, os juros de longo prazo também estão em queda, o que dá a impressão de que o mercado está aprovando o governo Temer. Mas a gente sabe muito bem que isso é derivado das condições de liquidez lá fora.”

Falta de apoio para mudanças drásticas

Apesar do discurso mais rígido do governo nos últimos dias, o economista Fernando Sarti, da Unicamp, tem dúvidas sobre o que realmente será colocado à mesa, já que o Temer não desfruta de apoio popular.

“Eu acho que, por enquanto, as iniciativas do Temer são muito dúbias. Fica difícil de fazer uma análise para frente”, observa o ex-diretor do Instituto de Economia da universidade. “Do ponto de vista da agenda que ele se propôs, ele já fez várias concessões e retrocedeu em várias propostas, a começar pelo aumento concedido aos funcionários públicos, tolerância com o déficit nominal de R$ 170 bilhões para 2016. Ou seja, há uma série de medidas que, até agora, não condizem com o que ele tinha inicialmente proposto na sua agenda liberal.”

Na avaliação do professor de Economia, a prioridade número 1 do governo para sanar o crônico rombo nas contas públicas deveria ser a reforma tributária, de forma a equilibrar melhor a arrecadação de recursos.

“Não faz sentido uma estrutura tributária na qual 50% é em cima de imposto direto. Mas essa redistribuição significa mexer em interesses muito consolidados no país – e não vamos mudar isso com esse Congresso e, muito menos, com um governo que, sob vários aspectos, também carece de legitimidade”, frisa Sarti. “Não adianta você só ter a legitimidade dos empresários.”

Investimentos em infraestrutura

Por conta da instabilidade política e da divisão que a crise em Brasília provocou na sociedade, o economista da Unicamp considera que a verdadeira saída seria a realização de eleições gerais. Com o Congresso e o Executivo renovados, ele avalia que um pacote amplo para enfrentar a crise teria mais chances de passar.

Sarti destaca ainda a importância de um plano de investimentos, em especial em infraestrutura, para estimular o crescimento e o país tirar o atraso em setores como energia, telecomunicações ou transportes. O professor ressalta que “há uma demanda reprimida” em grandes obras, que poderiam ser atendidas com parcerias público-privadas para não onerar o orçamento.

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