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Economia
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Como aproveitar os serviços bancários e financeiros na era digital?

Por Lúcia Müzell

Os bancos correm contra o tempo para não ficarem para trás na revolução digital – como em tantos outros setores, o bancário sofre profundas transformações após a popularização da internet e dos smartphones. O cliente do futuro vai perder o interesse em comparecer a uma agência tradicional, e desde já não precisa mais estar ligado a um banco para fazer todo o tipo de transação financeira.

Operações simples, como pagamentos e transferências, até mais complexas, como obtenção de crédito ou envio de recursos para o exterior, podem ser feitas por aplicativos especializados, que oferecem cada vez mais segurança e custos mais atrativos. Outra vantagem: costumam ser bem mais fáceis do que pelos bancos “de antigamente”, que ainda exigem uma série de garantias e toda a famosa “papelada” para concretizar os projetos dos clientes.

Não à toa, os jovens estão na mira desse setor em pleno desenvolvimento – a geração digital native exige operações simples, itinerantes e com códigos próprios, estabelecidos pelo uso cotidiano das redes sociais e dos aplicativos. A estudante gaúcha Mariana Boger, por exemplo, escolheu o aplicativo TransferWise para enviar dinheiro do Brasil para a França e financiar os primeiros meses do intercâmbio universitário na Europa.

“Eu fiz pesquisas e comparações entre fazer transferências internacionais entre bancos ou utilizando um aplicativo. Percebi que valia muito a pena porque, além de ter taxas menores, o aplicativo é bem simples e fácil”, relata a estudante de engenharia. “Não tive medo, porque pesquisei bastante antes de usar e ele me pareceu confiável. Além disso, outras pessoas conhecidas já tinham utilizado sem problemas.”

Africanos não têm acesso a bancos – e agora usam só o celular

Outro foco de atenção são os países em desenvolvimento, que conheciam uma fraca financeirização da economia e agora saltam direto para as operações bancárias via celular. A África representa um manancial de oportunidades no setor, ressalta Alain Clot, presidente da France FinTech, promotora de startups francesas de inovação na área financeira.

“Uma imensa proporção de pessoas não tem conta em banco na África – por outro lado, uma imensa proporção tem um smartphone. Então elas estão indo direto ao ponto: ao acesso aos serviços financeiros, por um aplicativo digital”, constata o especialista. “Elas não precisam mais ter uma conta bancária clássica.”

África se tornou eldorado para start ups especializadas em serviços financeiros. Will Boase/Bloomberg via Getty Images

“Ibanização” dos serviços bancários e financeiros

Atentos a essas mudanças de comportamento, não resta outra alternativa aos bancos a não ser se adaptar. O fenômeno já é chamado de Ibanização do setor bancário e é mais um exemplo da “uberização” da economia. A associação a empresas de tecnologia se tornou obrigatória, na opinião do analista Pascal de Lima, fundador da consultoria Economic Cell e professor da Sciences Po (Instituto de Estudos Políticos de Paris) na área de inovação.

“Todas as parcerias que se desenvolvem no setor bancário mostram que é possível haver uma compatibilidade entre os monopólios bancários tradicionais e essa economia ‘uberizada’. Temos visto muitos acordos que permitem criar sinergias entre os bancos e as start ups, e assim desenvolver a qualidade e o serviço para os clientes”, afirma o economista.

As mudanças também ocorrem dentro das próprias instituições – que, por conta das ferramentas de informática, não param de fechar agências no mundo inteiro. Mas além disso, os aplicativos ajudam os bancos a analisar melhor o potencial da própria clientela.

“São aplicativos ligados diretamente à gestão dos riscos de crédito, ou então da gestão da relação com o cliente. São aplicativos desenvolvidos dentro da organização bancária, que lhes permitem melhorar a produtividade e a rentabilidade dos bancos”, indica Lima.

Invasão de gigantes por todos os lados

A sinergia com a tecnologia se mostra ainda mais urgente na medida em que atores externos ao mundo das finanças, como as empresas de telecomunicações, entraram com tudo neste setor. É o caso da provedora Orange, a gigante francesa de telefonia e internet, que acaba de lançar o Orange Bank.

“Na verdade, tem bem mais a ver do que a gente pensa. Todos os atores da tecnologia, seja ligados a telecom, como Orange, seja os chamados GAFA (Google, Amazon, Facebook e Apple), começam a fazer pagamentos e operações financeiras para usar o tráfego imenso de usuários e dados que eles já têm”, diz o presidente da France FinTech. “É uma maneira de conhecer melhor os próprios clientes, já que é um suporte importante de informação, os big data, e é também uma forma de manter os usuários no universo deles: eles não precisam mais sair do ambiente dessas marcas para pagar e comprar.”

A França se tornou um polo forte nesta área. Alguns exemplos: o Lydia faz sucesso ao facilitar as operações bancárias correntes pelo celular, a Kantox viabiliza o acesso simples a divisas de todo o mundo e a Younited oferece empréstimos com um mínimo de burocracia.
 

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