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Paris colhe frutos pós-Brexit e disputa título de capital financeira

Por Augusto Pinheiro

O banco britânico HSBC anunciou recentemente a transferência de parte de suas operações de Londres para Paris. Trata-se principalmente de atividades sujeitas à legislação europeia, já que o Reino Unido deixará o bloco. A mudança confirma a capital francesa como a possível nova capital financeira europeia em um cenário pós-Brexit.

“Principalmente depois da decisão da primeira-ministra britânica Theresa May de uma saída dura da União Europeia, a posição de Londres como capital financeira ficou ameaçada. Além disso, o Reino Unido também vai sair da Comunidade Econômica Europeia. Isso significa que as empresas britânicas, que antes tinham acesso a todo o mercado europeu e podiam vender serviços sem uma autorização especial, não vão mais poder fazer isso. Essa vantagem servia em particular para os bancos baseados em Londres", explica a economista Cristina Terra, professora da Escola Superior de Ciências Econômicas e Comerciais de Paris.

Paris conta com diversos atrativos que a colocam no topo da lista para concorrer com a capital inglesa por uma grande fatia do mercado financeiro. A capital francesa tem muitas das coisas que Londres tem, como uma excelente conexão internacional. É uma cidade muito bonita, com uma cultura maravilhosa, excelentes restaurantes, teatros, música. Esse tipo de riqueza e de qualidade de vida é um dos grandes atrativos para pessoas que trabalham no setor financeiro internacional. O sistema de transporte é melhor que o de Londres, e há também uma boa quantidade de moradias a preços razoáveis", diz Richard Brown, diretor de pesquisa do think tank Centre for London.

Mas também há desvantagens. "O que desfavorece é a língua, já que o inglês é o idioma do mercado financeiro internacional. Além disso, as rígidas leis e regras trabalhistas francesas podem ser um desafio para uma empresa se instalar em Paris. Mas eu sei que o governo francês está empenhado em melhorar esse aspecto", avalia Brown, que atualmente realiza diversos estudos sobre os efeitos do Brexit.

Economia de aglomeração

Outro fator importante para determinar o destino das empresas é o que Cristina chama de “economia de aglomeração”. “Quando várias empresas de um mesmo mercado estão geograficamente próximas, há mais trocas de ideias, de conhecimentos, de informações, networking. E o mercado financeiro, em particular, se beneficia da economia de aglomeração. Isso significa, idealmente, que as empresas desse mercado gostariam todas de ir para o mesmo lugar. ”

Por isso, a economista diz que o governo francês pretende implementar medidas para reunir essas empresas em Paris. “A França já está sinalizando que vai diminuir os impostos corporativos e dar um benefício fiscal para os estrangeiros que venham trabalhar na França, durante um período de oito anos.”

Além de Paris, duas outras cidades europeias pretendem se beneficiar do êxodo de empresas pós-Brexit. Dublin, capital da Irlanda, e Frankfurt, na Alemanha. "Dublin tem a língua inglesa e boas conexões com Londres, a Europa e os Estados Unidos. Porém tem poucas conexões com o extremo oriente. Além disso, é uma cidade muito menor, com uma capacidade limitada para receber novos empregos em termos de espaço", diz Brown.

E completa: "Já Frankfurt, eu não conheço muito bem, mas sei que é bem menor que Londres e Paris e oferece menos atrações culturais, menos atividades. Não é uma cidade que as pessoas consideram dinâmica ou atraente para trabalhar. Mas todas as cidades têm algo para oferecer. E Frankfurt tem o sistema alemão, que é avançado em termos de regras e serviços financeiros."

Mas, como lembram os dois especialistas, outro fator decisivo para Paris será o resultado das eleições presidenciais de abril e maio e as diretrizes do novo governo.

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