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Políticas de Trump podem ter impacto direto na indústria têxtil e de moda do Brasil

Por Silvano Mendes

O Brasil está entre os cinco maiores produtores de têxtil do mundo. No entanto, quando o assunto é exportar roupa pronta, com produtos de maior valor agregado, o país ainda está aquém de suas expectativas. Além do contexto interno, as mudanças geopolíticas também podem afetar o futuro do setor.

 Segundo Fernando Pimentel, presidente da ABIT, a Associação brasileira da indústria têxtil e de confecção, uma série de fatores justificam essa dificuldade do Brasil no mercado externo. Um deles é o sistema de taxas de exportação, apontado com frequência como grande vilão na hora de vender produtos fora do país. “Os impostos são uma grande barreira, mas esse não é o único problema. Há também muitas oscilações na taxa de câmbio e custos em logística que transcendem o custo de seus competidores”, explica o executivo, que estava em Paris para o salão Première Vision, onde a ABIT acompanhava 11 empresas. Para ele, “o Brasil é um país que precisa ser passado a limpo, no sentido de desburocratizar e simplificar o ambiente de trabalho, com poucas, mas boas regras”.

A indústria têxtil e da confecção no Brasil representa 33 mil empresas, emprega mais de 1,6 milhão de trabalhadores, gerando um faturamento anual de US$ 53,6 bilhões. Porém, apesar de seu peso na economia, ainda parecem faltar dispositivos públicos de apoio ao setor. Pimentel compara a situação brasileira com a de seus concorrentes: “países que deram certo, e com muito menos recursos que nós, conseguiram lograr êxito porque tiveram uma continuidade, a despeito do governo de plantão. O Brasil precisa de uma política de Estado, e não uma política de governo”, aponta.

Mas o executivo também chama a atenção para elementos externos, que podem representar surpresas nos próximos meses. Um desses fatores é o discurso protecionista do presidente norte-americano Donald Trump, que balança as relações com o vizinho México, um de seus grandes parceiros no setor têxtil, mas também com a China. “Se os Estados Unidos resolvem impor barreiras tarifárias ou técnicas a produtos chineses, Pequim vai querer vender isso em um outro mercado. E, nesse caso, pode sobrar para nós uma parte desse excedente, o que seria extremamente prejudicial, já que a China tem características de concorrência distintas das nossas”, analisa. No entanto, essa política americana também pode representar uma oportunidade junto a blocos como Mercosul ou União Europeia, além do próprio México, pondera Pimentel.

Assista a entrevista completa no vídeo abaixo.  

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