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Home office: Trabalhar em casa com carteira assinada

Por João Alencar

Evolução moderna do trabalho ou uma prática para economizar os custos das empresas? Trocar o ambiente de trabalho pelo conforto de casa. E continuar com carteira assinada. Na França, 7 em cada 10 empresas autorizam os funcionários a trabalharem à distância alguns dias por semana. Uma prática cada vez mais comum.

O economista francês Matthieu de Villemeur foi um dos precursores do home office. Nos anos 90, ele trabalhava na bolsa de valores de Paris e levava cerca de uma hora de metrô para chegar ao emprego. Cansado do tempo perdido no trajeto, Matthieu decide pedir demissão, criar a própria empresa e trabalhar em casa.

“Na época, isso não era nada comum e gerava muitas interrogações e surpresa. Meus amigos me perguntavam, mas como é que você vai se organizar, conseguir os clientes? Com o tempo, como os negócios deram certo, mesmo se eu nunca ganhei milhões, tenho uma qualidade de vida incomparável aos meus amigos assalariados. Então, hoje, eu não fico mais sem graça para explicar o meu trabalho”, conta ele.

Home office e criança em casa: missão impossível

No caso de Matthieu, era um trabalho independente de consultoria. Hoje é ele que aconselha grandes empresas francesas a colocarem em prática o trabalho à distância. Autor do livro "Comment gagner sa vie en restant chez soi" (Como ganhar a vida ficando em casa), ele ressalta que transformar a sala de jantar em local de trabalho não é tão simples assim.

“Nem tudo é cor-de-rosa no trabalho à distância. Uma coisa é falar, outra é a prática. Em relação às crianças, eu digo logo que é impossível trabalhar em casa e cuidar dos filhos ao mesmo tempo. Se você recebe um telefonema e tem criança gritando ao lado, você não será levado a sério. Mas fora isso, é preciso criar o que eu chamo de ritos de passagem, ou seja, um rotina que vai permitir a você começar as atividades cotidianas. Por exemplo, sempre começo olhando os meus e-mails, lendo os jornais. É necessário ter disciplina, determinar tarefas precisas para o dia, inclusive com o tempo de pausas. Já que, por outro lado, você não será atrapalhado pelos colegas, como na empresa. Então, se tiver a sabedoria de se organizar e não assistir à televisão, por exemplo, você pode ser bastante eficaz”, indica Matthieu de Villemeur.

Eficiência, produtividade e redução dos custos. São esses os principais objetivos das empresas que permitem hoje que funcionários, com contratos permanentes, realizem atividades sem sair de casa. O presidente da Associação Francesa de Trabalho à Distância, Philippe Planterose, explica as diferentes categorias de empregados:

“Existem dois tipos de trabalho à distância: um trabalho oficial, em acordo coletivo da empresa e um contrato permanente. E outro, fora do quadro legal. Se considerarmos esses dois tipos, pode-se dizer que a França tem um grande número de trabalhadores à distância. Porém, se levarmos em conta apenas o quadro legal, com um contrato efetivo de trabalho, a França não está tão avançada assim. Estamos agora recuperando o atraso, com várias empresas privadas e até mesmo o serviço público desenvolvendo o home office”, explica.

Para o economista e consultor Matthieu de Villemeur, a revolução digital é a grande responsável por essa mudança de paradigma. Ele defende que essa nova organização do trabalho não deve parar de crescer. “As profissões mais propícias ao trabalho à distância são aquelas que utilizam o computador ou o telefone como ferramentas de trabalho. Poderíamos citar os técnicos de informática, gráficos, mas também secretárias, pessoas que vendem produtos por telefone, que fazem agendamentos, consultoria, etc. Hoje em dia, existem cada vez mais profissões que não necessitam do contato físico e que os trabalhadores podem exercer as atividades à distância”, avalia.

1 em cada 2 franceses gostaria de trabalhar em casa

Na França, não há estatística oficial. De acordo com uma pesquisa publicada este ano, metade dos trabalhadores franceses estaria disposta a testar o trabalho à distância. Mas atenção, o presidente da associação nacional Philippe Planterose lembra que as mudanças não devem ser feitas de forma precipitada.

“A principal dificuldade é a gestão de serviços. Por exemplo, não dá para colocar todo um departamento trabalhando à distância, de uma só vez. É preciso fazer gradualmente e com vários testes antes. Se não, é um fracasso anunciado. Geralmente, começa-se com um dia de trabalho à distância por semana, em seguida, passa-se a dois. Hoje em dia, é raro que os empregados façam mais do que dois dias por semana em casa”, ressalta.

Uma decisão, portanto, a ser tomada em pleno acordo entre empresa e empregado e colocada em prática de forma gradual, recomendam os especialistas.

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