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Grupo franco-suíço quer vender concreto para muro de Trump

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A cimenteira LafargeHolcim entra na disputa lançada para saber qual será a empreteira que vai construir o muro da fronteira entre EUA e México. wikipédia

De olho no rentável programa de investimentos em infraestrutura dos Estados Unidos, o gigante franco-suíço LafargeHolcim afirmou estar pronto para vender o concreto necessário para todo tipo de obra, inclusive para o muro que o presidente Donald Trump pretende levantar na fronteira com o México para evitar a imigração clandestina.


O projeto tem um custo avaliado em vários milhões de dólares e está no centro de uma crise diplomática entre os dois países. Além disso, gerou uma onda de indignação internacional por seu caráter xenófobo e pelo que representa de divisão num mundo globalizado.

Questionado se não temia pela reputação da companhia em um projeto tão controverso, o presidente de LafargeHolcim, Eric Olsen, disse que a empresa está a serviço dos clientes e não se envolve em política. "Somos a primeira empresa de cimento nos Estados Unidos. Estamos aqui para apoiar a construção e o desenvolvimento do país", justificou-se o empresário. "Não somos uma organização política", insistiu.

A concorrente irlandesa CRH, também presente nos Estados Unidos, adotou uma estratégia diferente e já informou que não irá fornecer cimento para a construção do muro de Trump. O decreto do "muro da discórdia", como é chamado na Europa, foi assinado pelo presidente americano logo após sua posse, no dia 25 de janeiro.

Lafarge teria ajudado Estado Islâmico na Síria

O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Marc Ayrault, analisa a situação com menos indulgência e aconselhou a LafargeHolcim "a pensar bem" antes de vender seu concreto para o muro. Ayrault lembrou que outros clientes no mundo "vão observar essa decisão com uma certa surpresa". "Os empresários também têm uma responsabilidade social e ambiental", explicou Ayrault em entrevista à rede de rádio e TV pública FranceInfo.

Na entrevista, o chanceler francês também lembrou que a empresa franco-suíça já foi acusada de ter financiado o grupo jihadista Estado Islâmico na Síria para manter as atividades de uma cimenteira no país. O presidente da Lafarge não comentou o caso.

Olsen, que tem um MBA da prestigiosa escola francesa HEC e obteve a nacionalidade francesa há menos de dois anos, já faz propaganda dos ganhos que terá a partir de 2018 com os contratos que irá obter nos Estados Unidos. Depois de passar por um processo de fusão em 2015, a francesa Lafarge e a suíça Holcim esperam faturar milhões de dólares do projeto de US$ 1 trilhão, que deverá ser detalhado em breve por Trump.

O grupo franco-suíço tem o perfil de empresa que pode ajudar o republicano a cumprir a promessa de criar empregos nos Estados Unidos por ter três usinas em três dos quatro estados americanos que fazem fronteira com o México - Texas, Novo México e Arizona.

Com informações da AFP