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Busca por qualidade e bons preços leva turismo médico a crescer 25% ao ano

Por Augusto Pinheiro

Viajar para outros países para realizar tratamentos e exames médicos está se tornando cada vez mais comum. Segundo um estudo recente da fundação inglesa Oxford Economics, o setor movimenta US$ 100 bilhões e deve crescer 25% por ano na próxima década, o que significa que cerca de 4% da população mundial viajará ao exterior buscando assistência médica.

"Cada vez temos mais facilidade para viajar, devido a uma oferta crescente no setor do turismo. Há também uma tendência de cuidar mais da saúde, de procurar o melhor para nós. Outro quesito é o custo. Queremos e temos direito a uma saúde melhor, e os tratamentos tendem a ser mais caros. Por isso, as pessoas estão procurando, por todo o mundo, procedimentos com qualidade a preços mais competitivos", explica o português Joaquim Cunha, presidente do Health Cluster Portugal, pólo dedicado ao desenvolvimento da competitividade internacional na área de saúde.

Além do custo, há outros fatores que levam uma pessoa a buscar tratamento fora do seu país. "Elas viajam pela qualidade dos serviços também, querem fazer valer o seu dinheiro. Outro motivo é quando seus países não oferecem um determinado tratamento. Por exemplo, um procedimento popular atualmente no turismo médico é a fertilização in vitro. Em outros casos, há listas de espera para certos tratamentos. Então, em vez de esperar 2 ou 6 meses, as pessoas preferem gastar um dinheiro extra em outro país", diz Julie Munro, presidente da Medical Travel Quality Alliance, empresa norte-americana especializada em turismo médico.

Entre os principais destinos mundiais estão Estados Unidos, Turquia, Tailândia, Cingapura, Espanha e Alemanha. Na Europa, países como Polônia e Croácia são escolhidos pelos tratamentos dentários baratos. Portugal vem conquistando cada vez mais espaço, em diversas especialidades.

"O país foi capaz de construir uma oferta competitiva a escala mundial. O preço é importante, mas o primeiro argumento tem que ser a qualidade. A nossa oferta de saúde tem nível europeu, sempre bem posicionada nos rankings do setor. Estamos geograficamente bem colocados em termos globais. Conseguimos ter preços competitivos, sobretudo quando combinamos o tratamento com a oferta hoteleira. E acho que há outras características fortes, que são a hospitalidade portuguesa e o clima. As pessoa se sentem bem em Portugal", diz Cunha.

Fluxo de mão dupla

Julie Munro explica que, cada vez mais, os fluxos são de mão dupla. Ou seja, muitos países são, ao mesmo tempo, receptores e emissores de pacientes. "Por exemplo, as pessoas viajam muito para os Estados Unidos para realizar tratamentos médicos, mas os americanos também vão para o exterior, para o México, o Oriente Médio e outros lugares. Muitos pacientes vão para a Índia, e os indianos vão para a China, Singapura etc."

Já o Brasil continua sendo um destino mundial para a cirurgia plástica. "Há uma oferta brasileira com relevância e referência mundiais", diz o presidente do Health Cluster Portugal. "Além disso, o Brasil também é destino para países africanos, em várias especialidadaes. Apesar de muitos angolanos virem a Portugal, pela relação cultural e ancestral, eles também vão ao Brasil. Há nesse caso uma competição entre os dois países."

A importância do setor também se reflete nas feiras de turismo. Este ano, pela primeira vez, o Salão de Berlim dedicou uma zona para as viagens médicas.

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