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L'Oréal anuncia venda da The Body Shop para a Natura

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Grupo francês L'Oréal conclui o acordo para a venda de sua marca britânica The Body Shop à brasileira Natura REUTERS/Leonhard Foeger/File Photo

O grupo francês L'Oréal, número 1 mundial do mercado de cosméticos, anunciou nesta terça-feira (27) um acordo para a venda definitiva de sua marca inglesa The Body Shop ao grupo brasileiro Natura. A operação é avaliada em um € 1 bilhão, cerca de R$ 3,7 bilhões.


As negociações exclusivas da L’Oréal com a Natura para a venda da The Body Shop começaram em dia 9 de junho. A concretização da venda está condicionada às aprovações das autoridades de concorrência, principalmente no Brasil e nos Estados Unidos, mas os franceses acreditam que esse processo será concluído ainda 2017. 

A operação que vai criar um líder mundial da produção sustentável de cosméticos. A fusão da The Body Shop à Natura criará um grupo com um volume de negócios consolidado de R$ 11,5 bilhões, 3.200 lojas, 17 mil funcionários e uma rede de 1,8 milhão de vendedores independentes no mundo.

Fusão lógica

Nas últimas semanas, além da Natura, a imprensa já havia mencionado numerosos candidatos para a compra da The Body Shop, entre eles fundos de investimentos, como o italiano Investindustrial e vários grupos asiáticos.

“A Natura é o melhor proprietário que se poderia imaginar para fortalecer o DNA da marca construída em torno do natural e da ética", comentou o conselheiro-delegado da L'Oréal, Jean-Paul Agon, em comunicado apoós o início das negociações entre os dois grupos.

"Natura e The Body Shop sempre percorreram caminhos paralelos e hoje seus caminhos se unem", comemorou por sua vez Guilherme Leal, co-presidente do Conselho de administração da Natura Cosméticos, em outro comunicado.

“A complementariedade de nossas presenças geográficas, a utilização sustentável da biodiversidade em nossos produtos, a ética na gestão, as relações justas com as comunidades e um alto grau de inovação constituem os pilares da nova aventura que começa hoje", acrescentou Leal.

Líder brasileira

Fundada em 1969 e operando na Bolsa desde 2004, a Natura é a líder brasileira em cosméticos, com um volume de negócios de R$ 7,9 bilhões de reais no ano passado. Em um contexto econômico difícil no Brasil, o grupo implementa há alguns anos uma estratégia de diversificação de seus canais de venda e de expansão no mercado internacional, que atualmente representa apenas um terço de seu faturamento, particularmente na América Latina. A Natura assumiu no início do ano o controle total da marca australiana Aesop, da qual já tinha 65% de participação desde 2013.

Como parte do seu projeto de desenvolvimento sustentável da Amazônia, a Natura inaugurou em 2014 um complexo industrial em Benevides, a 35 km de Belém (PA). O projeto, batizado Ecoparque, teve investimentos de R$ 178 milhões e deve representar 8% do faturamento total da empresa, com a produção de 200 milhões de barras de sabonete e cerca de 400 toneladas de óleos fixos.

A marca The Body Shop foi fundada em 1976 pela empresária britânica Anita Roddick, pioneira dos produtos cosméticos que respeitam o meio ambiente, não testados em animais e adepta do comércio sustentável.

Auge do sucesso

A L'Oréal comprou a marca em 2006 por cerca de e € 940 milhões, quando ela estava no auge do sucesso. Mas a The Body Shop começou a entrar em decadência com o passar dos anos, ao perder seu lado precursor e inovador, apesar dos investimentos e de uma aceleração do seu desenvolvimento internacional.

“Hoje a The Body Shop já não é percebida como uma marca inovadora, sua imagem de marca está bloqueada nos anos 1990. Não inovou o suficiente e não soube acompanhar rapidamente as novas tendências do mercado", avalia Charlotte Pearce, analista da GlobalData.

No ano passado, a marca, que era administrada de forma autônoma dentro da L'Oréal, faturou € 921 milhões (queda anual de 4,8%) e sua rentabilidade caiu 3,7%, muito longe das outras divisões da grande multinacional de cosmética.

O projeto de venda será objeto de uma informação-consulta do comitê central de empresa da L'Oréal e sua concretização depende de autorizações regulamentárias, especialmente no Brasil e nos Estados Unidos. Segundo a L'Oréal, a venda deve ser concluída no transcurso do segundo trimestre.