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Franco-brasileiro transforma Renault em líder mundial do setor automobilístico

Por Adriana Moysés

O grupo franco-japonês Renault-Nissan-Mitsubishi tornou-se em julho o número 1 mundial da indústria automobilística, uma conquista que leva a assinatura do dirigente brasileiro-franco-libanês Carlos Ghosn, nascido em Rondônia. Aos 63 anos, completados em março, Ghosn saboreia o maior triunfo de sua carreira em uma entrevista de 12 páginas à revista semanal francesa Le Point.

Ghosn é um executivo controverso. Ele desperta críticas e admiração no mundo dos negócios pelo sucesso que alcançou na carreira. Muito já se falou sobre a forma impiedosa com que ele fechou fábricas e demitiu centenas de trabalhadores no Japão quando assumiu a direção da Nissan, na época em crise. Na França, ele é atacado por sindicalistas inconformados com os € 15 milhões de euros que ganhou no ano passado, fruto de dois salários, um pela Renault (€ 7 milhões) e outro pela Nissan (€ 8,4 milhões), depois de impor sacrifícios aos empregados do grupo.

Mas, deixando a polêmica de lado, o que se extrai da entrevista de Ghosn à Le Point é o acerto na estratégia estabelecida pelo executivo para destronar a Toyota e a Volkswagen e se tornar líder mundial na venda de veículos. De acordo com previsões que Ghosn confirma, a Renault-Nissan-Mitsubishi vendeu no primeiro semestre 5,25 milhões de carros, 100 mil a mais do que a número 2, Toyota, e 150 mil acima da Volkswagen.

Brasileiro, francês e libanês, Ghosn adora o Japão

Competitivo, disciplinado e exigente, como os melhores atletas, Ghosn enumera as vantagens de chegar ao topo do pódio: "os melhores fornecedores, principalmente os de alta tecnologia, querem trabalhar com a gente", destaca o executivo.

O segredo do sucesso, como ele descreve ao longo da entrevista, foi ter preservado a cultura de cada montadora depois de ter efetuado os ajustes necessários.

O executivo absorveu totalmente a cultura japonesa. No grupo, os engenheiros franceses e japoneses trabalham de maneira transversal, como atestam colaboradores ouvidos pela Le Point. Não ter passado por um processo de fusão, e sim de aliança, de parceria, preservando a expertise de cada marca, foi outro fator fundamental. "Não é muito repousante", admite Ghosn, "mas é muito estimulante intelectualmente", afirma o executivo.

O Estado francês, maior acionista da Renault, pressiona Ghosn a preparar sua sucessão à frente do grupo. Ele sabe que essa escolha é crucial para conservar o que construiu até agora.

O neto de libaneses, que deixou o Brasil quando tinha seis anos, garante que quando sair da Renault não vai trabalhar para nenhum concorrente. Ele se vê em uma nova vida, "ambulante e urbana", entre Paris, Rio de Janeiro, Beirute, Nova York e São Francisco, onde estão seus familiares e amigos. Ghosn já investiu em um vinhedo no Líbano e comenta várias coisas que gostaria de fazer no futuro, como dar aulas de Economia em uma universidade ou transmitir sua experiência em cooperação cultural.

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