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Crise derruba Brasil no ranking da influência internacional

Por Mauricio Assumpção

Pelo segundo ano consecutivo, o Brasil perdeu pontos no ranking mundial do soft power, caindo para o penúltimo lugar da lista. Segundo o relatório publicado pela agência de comunicação Portland, o Brasil é agora o 29º colocado, à frente apenas da Turquia. Como consolo, a agência lembra que o Brasil é, atualmente, o único país latino-americano entre os Top 30.

Mas, afinal, o que é soft power? E como ele representa a atual crise brasileira? Para nos responder a essas perguntas, conversamos com João Augusto de Castro Neves, diretor para a América Latina da empresa de consultoria internacional Eurasia Group.

Soft power são os meios dos quais um país dispõe para influenciar outros países sem a utilização de recursos tradicionais de poder, principalmente militares (o que seria o hard power)”, explica Castro Neves. “Soft power seria, por exemplo, a influência cultural e econômica de um país sobre o outro”, sem recursos às armas.

A arte do futebol

Dois bons exemplos de soft power são a indústria cinematográfica norte-americana, que conquista corações e mentes, e a gastronomia francesa, que conquista o estômago de gourmets em todo o mundo, beneficiando direta e indiretamente o setor agroalimentar da França.

Nos últimos três anos, a realização da Copa do Mundo de Futebol e dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro contribuiu, sem dúvida, para o reforço da imagem do Brasil no exterior. Esse ganho de soft power, porém, foi rapidamente anulado pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff e por toda a crise política provocada pela operação Lava-Jato.

“A política externa brasileira está muito dependente da situação interna do país, tanto política quanto econômica. Ou seja, quando há crises políticas e econômicas no Brasil, normalmente o país tem menos capacidade de investir recursos e prestar atenção a temas internacionais. Podemos ver isso claramente na questão fiscal: quando temos uma crise fiscal no Brasil, corta-se o orçamento não somente do ministério das Relações Exteriores, mas também de vários outros projetos internacionais dos quais o Brasil possa participar, seja no âmbito científico, cultural, educacional etc. Então, sem dúvida alguma, essa queda no ranking reflete, em parte, a crise econômica no Brasil e, de outra parte, a crise política também”, diz Castro Neves.

A crise encolhendo o Brasil

Quanto menor o soft power de um país, menor a sua capacidade de influência sobre outros países, com efeitos negativos para a sua economia. A atual crise política e econômica brasileira deteriora, assim, não somente a estabilidade interna do país, mas também a sua visibilidade internacional.

“A queda no ranking do soft power é, na verdade, um sintoma desses problemas pelos quais passa o Brasil. Uma crise política bastante profunda - que alguns chamariam de “crise institucional”, com grandes escândalos de corrupção - e uma crise econômica também muito profunda. Em termos de crescimento econômico, o país teve quase uma década perdida nos últimos três anos. Para um país como o Brasil, que tem recursos tradicionais de poder limitados, como os recursos militares, por exemplo, é muito importante contar com esses artigos de soft power, de influência cultural e educacional, para fazer valer seus interesses fora do país”, explica Castro Neves.

Se o governo do presidente Lula conseguiu dar grande destaque ao Brasil, que passou a dar a sua opinião em questões internacionais como, por exemplo, o conflito entre Israel e a Palestina, o governo de Dilma Rousseff, por outro lado, foi extremamente criticado pela sua falta de atenção à política externa e ao ministério das Relações Exteriores. Desde o impeachment, no entanto, nada mudou. A situação, segundo Castro Neves, é preocupante.

“Preocupa. Não é o fim do mundo, mas é um sinal de alerta, principalmente para quem vencer as próximas eleições presidenciais no Brasil. Os políticos precisam colocar no papel qual o objetivo da política externa brasileira. Não há clareza alguma sobre isso. Não só agora, no governo Temer, mas desde o governo Dilma o Brasil não tem apresentado grandes projetos externos. Isso, de fato, é um problema”.

A boa política externa se começa em casa

O declínio do soft power brasileiro, que ainda se agarra às imagens positivas do turismo, carnaval e futebol, pode, em contrapartida, nos servir de lição.

“O que se revela nessa pesquisa é que uma boa política externa começa em casa. Para que se tenha uma presença relevante fora do Brasil, seja na América Latina ou no Mundo, nós precisamos ter um país que funciona, com um nível educacional bom, com uma economia robusta, com empresas fortes. Assim, uma política externa boa, seja ela tradicional, o hard power dos militares, ou o soft power, começa com políticas domésticas de qualidade, sobretudo em educação e cultura. Sem isso não há como se fazer milagres fora das fronteiras”, concluiu o consultor João Augusto de Castro Neves.

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