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Indústria têxtil portuguesa se renova e bate concorrentes chineses

Por Augusto Pinheiro

A indústria têxtil vai de vento em popa em Portugal, incluindo nesse sucesso o renascimento das pequenas e médias empresas tradicionais, que souberam se reinventar e inovar para bater a concorrência chinesa e do leste europeu.

O crescimento do setor em 2016 foi de 6% em relação ao ano anterior, representando um total de € 5,6 milhões, a apenas € 10 milhões do recorde de 2001.

“A indústria conseguiu resistir, reinventar-se, apostar em outros ‘drives’ para realizar a diferenciação, escapar da competição pelo preço, apostando na competição por valor”, explica Paulo Vaz, diretor-geral da ATP (Associação do Têxtil e do Vestuário de Portugal). “As empresas passaram a apostar cada vez mais na moda, no design, na inovação tecnológica e intensificaram os serviços e o foco no cliente.”

Segundo ele, “há três grandes ideias que resumem a mudança”. “A indústria deixou de competir pelo preço para competir por valor, deixou de ser tomadora de encomendas para ser provedora de soluções ao cliente, esteja ele onde estiver, e passou a ter uma orientação estratégica fugindo do voluntarismo casuístico de cada empresa.”

Os resultados superaram e anteciparam as projeções realizadas pela associação para o setor. “Tínhamos um plano estratégico que apontava para 2020 um conjunto de objetivos, nomeadamente ultrapassar € 5 bilhões de exportações, ter mais de € 7 bilhões em volumes de negócios e estancar as perdas de postos de trabalho e fazer voltar a crescer o emprego. Cumprimos em quatro anos todos esses objetivos, então somos obrigados, por uma excelente razão, a redefinir o nosso plano estratégico.”

Rapidez na entrega

Outro elemento que contribuiu para o crescimento da indústria têxtil portuguesa foi a rapidez no fornecimento em comparação com seus concorrentes, explica o diretor-geral da ATP.

“O fato de muitas empresas trabalharem em parcerias com os modelos de ‘fast fashion’, nomeadamente na Espanha, sobretudo do grupo Inditex (da Zara), determinou que as empresas tivessem uma grande flexibilidade e reatividade”, explica.

“Elas conseguem responder com muita rapidez aos desafios do cliente. Temos hoje o tempo de resposta mais rápido do mundo, entre duas e seis semanas da encomenda à entrega. Isso é imbatível.”

Vaz afirma que a Espanha é o principal mercado. “Ela importa cerca de 1/3 do total e também é nosso principal fornecedor, representando 40% de tudo que importamos. Depois da Espanha nossos principais importadores são França, com 12%, Alemanha, com 10%, Reino Unido, com 8%, e EUA com 5%".

Outros setores da indústria tradicional portuguesa também passam por um renascimento, como a de produtos à base de cortiça e agroalimentares.

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