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Debandada de empresas alerta para impacto econômico do “Catalexit”

Por Lúcia Müzell

O início da debandada de bancos e empresas da Catalunha em caso de separação da Espanha faz muitos catalães pensarem duas vezes se vale mesmo a pena seguir em frente no processo de independência. Embora a economia da mais rica região da Espanha vá de vento em popa, uma ruptura com Madri geraria prejuízos inevitáveis.

Os separatistas gostam de repetir que, se fosse independente, a Catalunha seria a 12ª maior economia da União Europeia, à frente da Itália e do restante da Espanha. O problema é que, se proclamassem independência, os catalães seriam automaticamente excluídos do bloco europeu, onde estão a maioria dos seus parceiros econômicos. Barcelona teria de iniciar uma longa negociação com Bruxelas, se quisesse voltar a fazer parte da EU e, evidentemente, adotar o euro como moeda.

A situação faz pensar no Brexit – terríveis danos econômicos eram alardeados, mas por enquanto ainda não se confirmaram. A diferença, porém, é que a região espanhola é bem menos poderosa do que o Reino Unido, como observa o economista Alfredo Arahuetes, professor de Economia Internacional da Universidade Comillas de Madri.

“A situação é muito mais grave. No caso da Catalunha, o mercado interno da Espanha é muito importante para a Catalunha, enquanto o Reino Unido tem uma importância grande na União Europeia para alguns países. A saída dos britânicos pode afetar mais negativamente alguns países do que a outros, mas a saída da Catalunha geraria muito mais impacto na própria Catalunha do que ao restante da Espanha”, explica.

Dívida triplicaria

Com 7,5 milhões de habitantes, a região responde por 20% das riquezas nacionais, graças a uma economia diversificada e uma indústria forte. 19% dos carros fabricados na Espanha saíram da Catalunha, que, em 2016, registou um PIB de 224 bilhões de euros. A região é a maior exportadora do país.

No entanto, o tendão de Aquiles de Barcelona é a dívida pública, que chega a 36% do PIB regional, uma das mais elevadas da Espanha. O quadro ainda poderia piorar porque, em caso de ruptura, Madri não vai abrir mão de repartir a atual dívida nacional com a Catalunha. Resultado: o endividamento saltaria dos atuais € 74 bilhões para € 235 bilhões.

Neste contexto, o maior temor de empresários como o francês Pascal Bourbon, diretor de fundos de investimentos em Barcelona, é a explosão das taxas de juros na região.

“Os índices seriam como os da Grécia. Hoje, a Catalunha se financia junto ao Estado espanhol, com taxas de juros normais, e amanhã pode ter que fazer acordos com taxas de 20% no mercado. Isso muda tudo”, constata. “Estamos numa incerteza total: sair da União Europeia significaria ter de pagar taxas alfandegárias e sair de todo um sistema que já está estabelecido e que beneficiava as empresas catalãs. Esse sistema regulamentar e jurídico mudaria totalmente e, com certeza, geraria um impacto negativo, pelo menos a curto prazo.”

Internacionalização ajuda

O analista macroeconômico do Saxo Bank Christopher Dembik é cético quanto à possibilidade de Barcelona ir adiante nos planos separatistas. Ele pondera, no entanto, que os catalães apresentam um desempenho singular no país – e, apesar dos graves impactos iniciais, até poderiam se recuperar do choque da independência e se tornar um Estado viável economicamente.

“É uma economia com uma abertura fenomenal ao exterior, com parceiros comerciais baseados, principalmente, na União Europeia. Nos últimos anos, houve uma forte diversificação dos parceiros, rumo à América Latina”, observa o analista. “E temos visto alguns dos melhores resultados da Espanha em produtividade, embora ela não seja muito alta. Esse é um elemento extremamente importante para o crescimento econômico.”

Ameaça de retirada da autonomia

Nos últimos dias, um novo problema bate à porta dos catalães: Madri ameaça retirar a autonomia da região, se as lideranças separatistas insistirem na secessão. Alfredo Arahuetes nota que, a médio prazo, a medida poderia levar os opositores à independência ao poder.

“O governo assumiria as funções do governo autônomo para convocar eleições em um prazo muito rápido. Ele não ficaria controlando a autonomia por mais de cinco ou seis meses. Ele teria a missão de paralisar o processo secessionista, abrir o processo penal contra as pessoas que promoveram a secessão e depois convocaria um novo processo eleitoral”, explica.  

O governo catalão espera crescer 2,7% neste ano – uma expectativa baseada na situação atual da região, integrante da Espanha.

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