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França "não pode bloquear acordo União Europeia-Mercosul”

Por RFI

As negociações de um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia podem ser concluídas até o fim do ano – pelo menos é o que esperam as duas partes. Já faz 18 anos que o projeto existe e até hoje não saiu do papel. A última pedra no caminho dos negociadores foi colocada pelo presidente francês, Emmanuel Macron, ao alegar que a União Europeia está andando rápido demais com os acordos de livre comércio ao redor do mundo.

O subsecretário de Assuntos Econômicos e Financeiros do Itamaraty, embaixador Carlos Cozendey, não vê as declarações de Macron como uma barreira para a finalização do acordo. Na semana passada, o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, reiterou a intenção de fechar o acerto até dezembro.

“As negociações comerciais da União Europeia são de responsabilidade da Comissão. Depois é que o Paramento e o Conselho Europeu vão se manifestar. Nenhum país europeu sozinho pode bloquear as negociações”, afirmou, em entrevista à RFI Brasil. “Sabemos que agricultura é um setor sensível para a União Europeia, assim como a indústria é para o Mercosul. Mas eu acho que há um interesse muito grande de outros setores em fechar esse acordo.”

Cotas agrícolas x prazos mais curtos para manufaturas

A última proposta europeia veio com uma sugestão de cotas de importação tanto de carne, quanto de etanol do Mercosul – uma oferta que, para o embaixador brasileiro, não deve encontrar maior resistência no bloco sul-americano. Ele lembra que o livre comércio na agricultura e o desmonte da política agrícola europeia jamais fizeram parte da negociação. “O temor dos agricultores europeus da concorrência do Mercosul é bastante exagerado já que, na verdade, vai ser uma concorrência totalmente dentro de limites conhecidos”, ressalta.

Em contrapartida às cotas agrícolas, os europeus esperam que o Mercosul melhore as suas propostas em relação aos prazos de liberação de entrada dos produtos europeus. O bloco formado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai quer que a maioria deles só seja aceita em 15 anos, o mais longo período possível. “O Mercosul está pronto para fazer isso, desde que a União Europeia também melhore a sua proposta”, disse Cozendey.

Quanto à agenda das discussões, uma representante da União Europeia é aguardada em Brasília ainda em novembro para debater o acordo. Mas a maior expectativa é a realização de uma reunião ministerial entre as duas partes no início de dezembro, quando pode sair o acerto político do acordo. Os detalhes técnicos e legais seriam afinados no primeiro semestre, quando o documento seria oficialmente assinado.  

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