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"Brasil retorna ao tabuleiro mundial do petróleo", diz Le Figaro

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Leilão do pré-sal realizado na sexta-feira (27) pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), no Rio de Janeiro Apu Gomes / AFP

A imprensa francesa faz nesta segunda-feira (30) um balanço do leilão de lotes do pré-sal realizado na última sexta-feira (27) no Rio de Janeiro. "O Brasil retorna ao tabuleiro mundial do petróleo", anuncia o jornal Le Figaro. "No país do escândalo da Petrobras, a abertura às empresas estrangeiras tornou-se uma necessidade", completa.


Segundo o diário econômico Les Echos, "não houve uma corrida pelo ouro, como esperavam as autoridades brasileiras, mas a participação ativa de grandes empresas petrolíferas estrangeiras mostra que os investidores estão motivados para explorar os campos do pré-sal brasileiro".

Les Echos relata que oito companhias estrangeiras participaram do leilão e figuram como vencedoras nos seis blocos vendidos no sistema de consórcios. A anglo-holandesa Shell abocanhou a maior parte dos contratos, um deles em parceria com a francesa Total, depois de anunciar que tinha meios de extrair petróleo do pré-sal a menos de US$ 40 o barril. Para o o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, mesmo não tendo conseguido vender dois dos oito blocos apresentados no leilão, a operação foi "um estrondoso sucesso".

Brasil ganha espaço no portfólio da Total

A francesa Total aposta muito no Brasil. O presidente da empresa disse recentemente que o país vai se tornar o mais importante de seu portfólio.

Dentro de alguns dias, os franceses começarão a explorar o campo de Libra, no Rio de Janeiro, ao lado da Petrobras, da Shell e dos grupos chineses CNPC e Cnooc. As primeiras gotas de petróleo desses poços situados em águas profundas devem vir à superfície em meados de novembro. Ainda será uma fase de testes, com produção limitada a 50 mil barris por dia. Embora a dimensão final do projeto continue desconhecida, "Libra é um campo que simboliza superlativos, com uma superfície de 1.550 quilômetros quadrados", destaca o jornal Les Echos.

A exploração será complicada, porque o petróleo se encontra a 2 mil metros de profundidade sob espessas camadas de sal. "Mas a Total irá empregar a experiência que desenvolveu ao largo de Angola, na África, e deverá ter um retorno positivo para os 20% de participação no bloco de Libra", ressalta Les Echos.

Ao todo, o grupo francês explora 15 blocos offshore em águas brasileiras. Em parceria com a Petrobras, os franceses reduziram custos ao máximo para enfrentar o contexto de queda dos preços do petróleo. O único projeto que dá dor de cabeça aos franceses é o bloco adquirido em parceria com a BP na foz do rio Amazonas, que teve seu estudo de impacto ambiental rejeitado, por enquanto, pelas autoridades brasileiras, conclui Les Echos.