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Aluguel de bicicletas sem estação desembarca em Paris

Por Lúcia Müzell

Há 10 anos, Paris se transformou num exemplo internacional de mobilidade urbana, ao espalhar por toda a cidade milhares de bicicletas de aluguel, a Vélib. Agora, esse modelo começa a demonstrar esgotamento. Uma nova alternativa tenta conquistar os parisienses: as bicicletas que não dependem mais de uma estação e podem ser estacionadas em qualquer lugar.

Para utilizá-la, o usuário se inscreve no aplicativo e aproxima o smartphone para desbloqueá-la. Na hora de estacionar, nada de pânico se a estação convencional estiver lotada: pelo método chamado free floating, basta encostar a bicicleta num local apropriado.

 

O modelo explodiu na China e desembarca nas principais cidades europeias. A líder oBike vem de Cingapura e captou € 38 milhões para se desenvolver na Europa, onde está presente em 11 países. O diretor na França, Alban Sayag, afirma que o objetivo imediato é ser a número 1 no país, apesar da intensa concorrência.

 

“Por trás desse fenômeno, está a vontade das grandes cidades da Europa e do mundo de ampliar o uso das bicicletas, por uma mobilidade mais sustentável, mais ecológica e diminuir os congestionamentos nas ruas e nos transportes públicos”, constata. “Há uma demanda profunda de mais bicicletas, de modo geral.

 

Concentrar serviço público na infraestrutura para ciclistas

 

Jean Gadrat, diretor de desenvolvimento da concorrente Indigo Weel, nota que o modelo free floating ganha espaço pela flexibilidade e a facilidade ainda maior de utilização. Além disso, completa o serviço nas cidades onde o governo municipal não é capaz de atender a toda a demanda. Em Paris, é comum os usuários abandonarem o Vélib pelas dificuldades em encontrar vagas em locais de forte frequentação.

 

“Quando encontramos um prefeito e dizemos que não precisamos de subvenções, ele se interessa na hora. A prefeitura não deve, obrigatoriamente, subvencionar um meio de transporte individual”, avalia Gadrat. “O Estado é mais útil construindo ciclovias e estacionamentos de bicicletas, e atuando como regulador do sistema, para determinar se há empresas demais, se há bicicletas demais ou de menos.”

 

Sem assinatura

 

Além da praticidade, os aplicativos de aluguel de bicicletas têm o diferencial de não cobrar assinatura. O aluguel é barato, em geral € 0,50 por 30 minutos de uso, com a garantia de uma caução de € 50 euros. Mas o economista e urbanista Frédéric Héran adverte que, apesar das aparências, o valor acaba sendo muito superior ao serviço oferecido pela prefeitura – que sai por € 29 ao ano.  

 

“O custo do sistema sem estação é cerca de seis vezes mais caro para o usuário, a menos que as empresas passem a oferecer assinatura do serviço – e ainda assim, custaria cerca de três vezes mais do que as bicicletas da prefeitura”, ressalta o professor da Universidade de Lille 1. “Os usuários não percebem que sai mais caro porque pagam somente € 0,50 por um trajeto de meia hora. Mas, somando-se o total, se você usa cotidianamente, chegamos a valores nada banais no fim do mês ou do ano.”

Usuário da GoBee Bike deixou a bicicleta no estacionamento da tradicional Vélib. Rfi/Laurent Berthault

 

A forte demanda atraiu um número impressionante de empresas do gênero a Paris: até agora, 10 operam na capital francesa, distribuindo suas bicicletas amarelas, azuis ou verdes pelos bairros mais apegados a esse meio de transporte. É impossível todas sobreviverem a médio prazo, na visão de Héran.

 

“A concorrência se anuncia feroz e só vão sobreviver aqueles com as melhores condições financeiras, ou seja, aqueles que tiverem a capacidade de operar num sistema não-rentável durante vários anos, até começarem a colher os frutos. Com toda a certeza, haverá operadores fadados a desaparecer nesse setor”, garante o especialista em mobilidade urbana.

 

Desafio: inibir roubos e vandalismo

 

Um dos gastos que mais pesam no orçamento é o de furtos e vandalismo. As bicicletas possuem um sensor de geolocalização, que ajuda a inibir os crimes, mas não impede os prejuízos.

 

“O custo com furto e vandalismo está integrado no nosso modelo de negócios. O Vélib, por exemplo, passou anos tendo entre 40 e 50% das bicicletas roubadas ou danificadas. Por enquanto, estamos um pouco abaixo disso, mas representa um custo que não podemos subestimar”, nota Sayag. “Tentamos amenizar esse problema com a responsabilização da comunidade de usuários. O nosso aplicativo tem um sistema de pontos: recompensamos os usuários que se comportam bem e penalizamos os que não se saem tão bem assim”, afirma o diretor da oBike.

 

A prefeitura de Paris já se preocupa com o efeito colateral do serviço, os estacionamentos no meio das calçadas e em lugares que atrapalham carros e pedestres. Na semana passada, o governo municipal recebeu as operadoras para analisar maneiras de enquadrar o uso do aplicativo. A possibilidade de aplicação de um imposto às empresas está sobre a mesa.

 

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