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Bitcoin: a criptomoeda do ano termina 2017 em baixa

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Bitcoin: sobe como foguete, cai como balão. REUTERS/Dado Ruvic/Illustration

O bitcoin saiu das sombras em 2017, seduzindo Wall Street e investidores individuais, embora muita gente ainda não saiba bem do que se trata. Nesta sexta-feira (22), no entanto, o bitcoin já havia perdido mais de 30% do seu valor de cotação.


O valor crescente do bitcoin, uma criptomoeda ou moeda virtual, tem preocupado autoridades financeiras e bancos centrais, que já consideram tomar atitudes para regulamentar a divisa, depois de meses de avisos e alertas aos investidores.

Em janeiro deste ano, cada bitcoin valia US$ 1,00, mas em dezembro ele chegou a US$ 20 mil, uma alta tão impressionante que gera temores de uma bolha, mesmo nos meios financeiros mais acostumados à especulação e à volatilidade.

"O bitcoin continua sendo uma grande aposta", disse Nigel Green do deVere Group. "Um ativo que sobe quase verticalmente, normalmente, dispara os alarmes dos investidores", garantiu à AFP.

Por outro lado, Green diz que a alta do bitcoin demonstra a força da demanda mundial pela criptomoeda.

No mercado futuro

Em 10 de dezembro, o bitcoin chamou a atenção da comunidade de investidores, quando começaram a ser negociados contratos de futuros em bitcoins no mercado de Chicago.

"Esse foi o ano em que o bitcoin e outras criptomoedas se tornaram legítimas", disse Timothy Enneking do Crypto Asset Management.

Baseado em uma tecnologia conhecida como "blockchain", o bitcoin está criando seu próprio espaço no mercado. Em algumas cidades, a divisa pode ser usada para fazer pagamentos em comércios, ou até comprar carros e casas.

Remi Roux, de 33 anos, investiu recentemente no bitcoin e em outras criptomoedas, como ethereum e litecoin.

"Fiz isso para trazer meu dinheiro de volta à França sem pagar comissões", explicou Roux, especialista em genética da Universidade de Nova York, que afirma que as tarifas cobradas por bancos pela transferência de dinheiro são perversas.

Roux tem o equivalente a cerca de US$ 20 mil em criptomoedas, quase o triplo do que investiu. Para evitar surpresas desagradáveis, instalou em seu telefone um aplicativo que lhe informa imediatamente sobre qualquer variação inesperada dos preços.

"Se isso acontecer, eu venderia meus bitcoins imediatamente", explicou.

Bitcoins ao alcance de todos

Defensores do bitcoin demandam às autoridades reguladoras que lhes concedam um mercado no qual as pessoas comuns possam investir as suas economias.

"Isso seria um passo enorme", disse Bob Fitzsimmons da Wedbush Securities, que admitiu, contudo, que ainda deve demorar bastante.

Regulamentação

Grandes bancos, que costumam endossar transações arriscadas, desconfiam do bitcoin. Eles indicam que não há transparência para determinar o tipo de câmbio da criptomoeda, e temem que isso gere manipulações.

Desde sua criação, em 2009, o bitcoin é negociado pela internet e sem nenhum tipo de regulamentação, nem respaldo institucional.

Diferentemente das divisas nacionais, o bitcoin não tem um banco central que o avalize, apenas uma rede de "mineradores", que fazem cálculos complexos em computadores espalhados pelo mundo.

Lavagem de dinheiro

Os pagamentos não têm intermediários e não requerem dados pessoais. O anonimato e a falta de regulamentação atraem traficantes e outros criminosos, que procuram lavar fundos fora dos circuitos convencionais.

Kathryn Haun, diretora da plataforma de moedas digitais Coinbase, disse à AFP que está errado pensar que a indústria se opõe às regulamentações.

"O que a indústria não quer é uma regulamentação que não tenha certezas", disse ela.

Antes de se envolver nessas transações, a maioria dos fundos de alto risco e outras entidades querem saber como os mercados e os controladores financeiros percebem os criptoativos.

"Muitos estão esperando mais clareza regulatória e, quando houver, veremos um maior interesse institucional e das empresas", disse.

Haun compara o medo do bitcoin ao que acontecia quando a internet começou a crescer, nos anos 1990.

"Muito rapidamente, o bom uso superou o mau", concluiu.

Desvalorização

Nesta sexta-feira, o bitcoin perdeu mais de 30% do seu valor nos últimos cinco dias.

Segundo a empresa de câmbio CoinDesk, o bitcoin vale hoje cerca de US$ 13 mil em comparação à cotaçã de US$ 20 mil de segunda-feira.

(Com agência AFP)