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De celular a sextoys, franceses revendem presentes de Natal que não agradaram

Por Claudia Giuza Mercier

Passado o Natal, os franceses começam uma verdadeira maratona para revender os presentes de Natal indesejados. Digamos que esse fenômeno tem se tornado uma tradição na França, onde 470 milhões de euros são gastos em presentes que não agradaram, segundo sites especializados em vendas online.

Com a desculpa de que Papai Noel errou na hora de escolher o agrado, os franceses não pensam duas vezes ao se desfazerem daquela roupa démodé, do kit meia - cueca - cinto ou, até mesmo, do telefone celular de modelo ultrapassado.

Muitas pessoas confessam que não gostaram do presente ou que ele foi repetido, como é o caso da comerciante Monique Fradin que anunciou o livro de seu autor preferido. "Meus amigos conhecem meu gosto e eu ganhei o mesmo livro duas vezes. Mas eu já o havia lido na biblioteca perto da minha casa. Eu não posso guardar três exemplares. Então eu coloquei o meu presente à venda", justificou Fradin. 

"Presente de grego"

De acordo com um estudo do site PriceMinister, 46% dos franceses já colocaram o presente à venda ou têm a intenção de fazê-lo. Segundo a pesquisa, quanto menos intimidade você tem com a pessoa, mais chances que ela venda seu presente.

O curioso é que os sogros e sogras são considerados os que oferecem os piores presentes de Natal. O valor sentimental do objeto recebido é levado em conta quando o mesmo foi dado pelos pais, irmãos ou filhos.

Os mais revendidos

No Top 5 dos anúncios de revenda de presentes de Natal estão CDs, produtos tecnológicos, telefone celular, brinquedos e livros. Para cada transação feita os sites de venda online cobram uma comissão que vaira entre 5% e 15% do valor do produto.

Para a responsável pela comunicação do PriceMinister, Alexia Leuvre, esta prática aumenta consideravelmente o número de acessos do site. Para facilitar a vida dos vendedores insatisfeitos com as lembranças entregues pelo “bom velhinho”, a empresa desenvolveu um aplicativo que permite que o anunciante escaneie o código de barras para ter todas as informações e fotos do produto que será colocado à venda.

"A partir da abertura dos presentes, as pessoas têm o reflexo, com o telefone celular, de escanear o código de barras e rapidamente colocar o produto à venda. Da noite de 24 de dezembro até meados de janeiro, a gente espera três milhões de anúncios. Em nosso site, temos anúncios de presentes baratinhos como livros, mas também de smartphones", explicou.

Anúncios inusitados

No site Le Bon Coin, um dos mais acessados pelos franceses, encontramos produtos variados como fruteira inox, relógios, sextoys, roupas de marca e até um homem, que preferiu não divulgar seu nome, que anunciou dois kits de cuecas recebidos no Natal. “Elas ficaram pequenas, mas por enquanto ninguém me ligou querendo comprá-las", disse ele.

A diretora de comunicação do Le Bon Coin, Anne Quemin, confirma o aumento no número de cliques nesta época do ano. "Entre o 25, no momento em que Papai Noel entrega o presente, e o 31 de dezembro, nós temos em média 40% de aumento no número de anúncios depositados na categoria 'jogos/brinquedos', uma oferta de jogos e brinquedos considerável a partir do Natal."

Rigor na hora da troca

Na França, praticamente todas as lojas exigem a nota fiscal para efetuar a troca de mercadorias. Esse pode ser um dos motivos da revenda dos presentes, já que a maioria das pessoas se esquece de entregar o cupom fiscal junto ao objeto presenteado.

Mas para aqueles que hesitam em colocar o presente à venda, a opção é anunciar em sites de locação. Um bom negócio para produtos como câmeras fotográficas, eletrodomésticos e ferramentas em geral.

Modelo a ser copiado

No Brasil, essa prática ainda é desconhecida. Sites como o OLX, por exemplo, não têm campanhas específicas para revenda de presentes natalinos e ainda não detectaram o aumento de anúncios por esse motivo. Mas fica a dica, ainda dá tempo de você se desfazer daquela tralha recebida no Natal.

 

 

 

 

 

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