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Volatilidade dos mercados está de volta e favorece especulação em 2018

Por Lúcia Müzell

Depois de um ano excepcional, no qual as bolsas bateram recordes em meio a taxas de juros baixíssimas e sem maiores percalços internacionais, 2018 se mostra um ano mais nervoso nos mercados financeiros. As expectativas sobre as mudanças na política monetária do Fed (Banco Central americano), assim como os rumos da política econômica do governo Donald Trump levaram os índices dos Estados Unidos a despencar na semana passada – mas, na opinião de especialistas, a ocorrência de movimentos de pânico, como este, tende a ser limitada ao longo do ano.

Não foram poucos os analistas a repetir que a atual queda é uma “correção” natural do mercado, que atuou num cenário de sonhos quase irrealista em 2017. Mas com a economia mundial em franca recuperação e os Bancos Centrais começando a retirar os estímulos monetários que perduraram por anos, o esperado é que os juros voltassem lentamente a subir a índices considerados mais "normais" do que os atuais próximos de zero. 

Porém, toda a mudança gera uma reação. Wilber Colmerauër, presidente da Emerging Markets Funding, em Londres, compara o momento atual a um resfriado: não é porque há uma tosse que, por trás, exista uma gripe pesada. É preciso, porém, observar o desenvolvimento do quadro porque haverá efeitos colaterais, que precisam ser tratados. Um deles é a inflação.

Tela exibe fechamento na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) em Manhattan, Nova York, EUA, 9 de fevereiro de 2018. REUTERS/Andrew Kelly

“Que a gente vai ter mais volatilidade do que nos últimos anos, é certo. É um movimento normal, porque as ações subiram muito e de uma maneira constante, linear – o que também não era normal.  Mas não necessariamente precisa ser um negócio fora de controle”, indica. “A gente vai ter um ou outro ponto nos quais os mercados vão reagir, porque é natural em uma mudança de regime. Mas eu não vejo, no momento, nenhuma coisa extrema.”

Pascal de Lima, economista-chefe da consultoria Harwell Management, de Paris, tem opinião semelhante. “Penso que haverá volatilidade, mas não tenho certeza de que ela vai ser muito grave e vá durar todo o ano. Creio que será ligada a anúncios dos políticos sobre a política fiscal de Donald Trump ou sobre as eleições na Itália, aqui na Europa. Mas depois desses acontecimentos, tudo vai ocorrer de um modo mais normal”, analisa o economista. “Acho que são pequenas incertezas a curto prazo e não haverá um grande crash, particularmente nas obrigações.”

Apostas em alta

Lima nota que o retorno dessa instabilidade contribui para uma maior especulação financeira. Nos anos anteriores, com os juros baixos, os investimentos nas obrigações públicas e privadas estavam atraentes. Mas agora, a tendência é que se redirecionem para as ações.

“Claramente, os que vão ganhar são os investidores a muito curto prazo, aqueles que tentam tirar proveito da especulação financeira. Os produtos derivados também, nos mercados financeiros, além de todas as operações de negociação”, constata.  

Trader na Bolsa de Nova York (NYSE) em Manhattan, 9 de fevereiro de 2018. REUTERS/Andrew Kelly

Colmerauër ressalta que, desde que a crise financeira de 2008 ficou para trás, os mercados internacionais têm agido de uma maneira cautelosa. Ao mesmo tempo, houve espaço para fenômenos de euforia, como o da moeda virtual Bitcoin. Ele acredita na correção dos preços de alguns ativos que estavam supervalorizados.

“Sempre tem gente tentando ganhar dinheiro mas, agora, eu acho que existe um lado especulativo. Sem dúvida alguma, existem situações, alguns mercados, em que estamos vendo certos fenômenos de bolha, como no Bitcoin”, indica o analista especializado nos mercados emergentes. “Mas, para mim, o grande perigo – do qual nem se tem falado muito – é o mercado de renda fixa, porque é um mercado onde ainda temos taxas muito baixas e, se houver um aumento mais acelerado, vai ter um efeito muito mais negativo que afeta diretamente a economia, pois se trata de tomar dinheiro mais barato e esse tipo de coisa, que afetam a economia.”

O economista Christophe Blot, diretor-adjunto do departamento de análise e previsão do Observatório Francês de Conjuntura Econômica, considera que ainda é cedo para determinar até que ponto o nervosismo dos últimos dias vai perdurar a médio prazo. Na expectativa de um retorno rápido à calma, ele prevê movimentações mais cautelosas nos mercados nas próximas semanas.

“Os movimentos dos últimos meses mostram que houve uma fase de euforia e provavelmente teremos um pouco mais de prudência nas próximas semanas. É complicado fazer previsões para além porque pode acontecer muita coisa no meio macroeconômico e financeiro”, diz Blot. “Mas um dos pontos-chave é verificar como vai evoluir a situação americana, em especial as finanças públicas, que vão impactar na taxa de juros no Estados Unidos. Além, é claro, da reação da política monetária do Fed.”

Os analistas concordam que, no mercado cambial, o dólar seguirá em queda em relação ao euro. A moeda europeia é cotada a US$ 1,22.  

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