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Lucro recorde da Renault fortalece franco-brasileiro na presidência do grupo

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O conselho de administração da Renault deu aval para um novo mandato do presidente-executivo, o franco-brasileiro Carlos Ghosn. REUTERS/Gonzalo Fuentes

A construtora francesa Renault anunciou nesta sexta-feira (16) ter registrado um lucro recorde em 2017, com uma alta de 50% em relação ao ano anterior, num total de € 5,1 bilhões. O anúncio acontece um dia depois de o conselho de administração do grupo autorizar um novo mandato de quatro anos para o seu presidente, o franco-brasileiro Carlos Ghosn, em troca de uma redução de 30% do seu salário.


“Nós batemos um novo recorde de vendas, de lucros, de margem operacional e de resultados líquidos”, disse Ghosn, durante uma conferência com analistas. A empresa, que controla as marcas Renault, Dacia, Renault Samsung Motors, Alpine e Lada, vendeu 3,6 milhões de veículos no ano passado. Para este ano, a ambição é aumentar os lucros “a perímetros constantes” e manter uma margem operacional “superior a 6%”. “2018 será um ano de crescimento moderado”, destacou Ghosn.

“Estou, evidentemente, muito orgulhoso de onde estamos hoje. Foi graças a uma boa estratégia, que teve a coragem de enfrentar muitas críticas e, no fim, provou, pelos fatos, que era a melhor”, disse o CEO. Ele explicou que, agora, o grupo colhe os frutos de “todas as sementes que posicionamos: carro elétrico, Rússia, Brasil, a aliança [Renault-Nissan], que vão dar resultados durante os próximos seis anos”.  

Queda de salário: não necessariamente um bom negócio para o Estado francês

Para permanecer no cargo, que ocupa desde 2005, o presidente do grupo aceitou uma redução de 30% do seu salário anual (de €7,25 milhões em 2017), conforme solicitação do Estado francês, acionista majoritário da gigante de automóveis. A diminuição se justifica, segundo Ghosn, pelo fato de que parte das suas funções operacionais serão delegadas, para que ele possa se concentrar nos trabalhos da aliança com a japonesa Nissan.

O ministro da Economia da França, Bruno Le Maire, afirmou nesta manhã que conversou com Ghosn e explicou-lhe que o governo “não poderia votar a favor de um dirigente que tivesse remunerações tão elevadas”, portanto o corte de salário seria necessário. “Ele aceitou”, comentou Le Maire.  

A redução de quase um terço do valor do contra-cheque, porém, não significa que o CEO vá de fato ganhar menos. A remuneração do presidente de uma companhia como a Renault não é igual à de um funcionário “comum” – existe uma parte fixa e uma variável, conforme a performance do grupo, e que significa extras em bônus e ações. Essa parte costuma ser superior ao salário fixo: em 2016, Ghosn ganhou € 6 milhões a mais de salário graças ao rendimento de suas 130 mil stock-options do grupo.  

A confirmação da decisão de mantê-lo na presidência até 2022 ainda será submetida ao voto da assembleia-geral de acionistas, no dia 15 de junho. Ghosn nomeou um vice, Thierry Bolloré, para preparar a própria sucessão no posto.

Em 2017, a Renault se tornou o maior construtor mundial de automóveis, com 10,6 milhões de veículos vendidos.

Com informações da AFP