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Debate protecionismo versus livre comércio marca G20 Finanças, na Argentina

Por Márcio Resende

Esta terça-feira (20) marca o segundo e último dia da reunião de ministros das Finanças e de presidentes dos Bancos Centrais das 20 maiores economias do mundo reunidas em Buenos Aires. São países responsáveis por 85% do PIB mundial e por 75% do comércio internacional.

E justamente, um dos maiores focos de preocupação é o risco de uma guerra no comércio internacional a partir da decisão protecionista do governo de Donald Trump de sobretaxar as importações de aço e de alumínio a partir do próximo dia 23.

Além do debate protecionismo versus livre comércio, são debatidas taxações sobre o comércio on-line, regulações sobre as criptomoedas e até sanções sobre à Venezuela.

A grande preocupação desta terça-feira passa pelas políticas protecionistas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Nessa discussão entre o protecionismo norte-americano e o livre comércio defendido pelo Brasil, pela Argentina e pela Europa, o risco é de uma guerra comercial generalizada que reduza o volume do comércio internacional, provocando recessão.

A pergunta aqui é até onde os países vão chegar nessa disputa ou se vão conseguir desativar essa disputa. Se a medida dos Estados Unidos vai apontar apenas contra o seu principal alvo, a China, com a sua superprodução de aço, ou o alvo será generalizado.

Nesse salve-se-quem-puder, o ministro da Fazenda do Brasil, Henrique Meirelles, terá uma reunião na tarde de hoje com o secretário do Tesouro norte-americano para tentar persuadir os Estados Unidos a livrarem o Brasil dessa medida.

“Os Estados Unidos indicaram o desejo, uma disposição de negociar. Nós estamos aguardando para ver quais são os termos dessa negociação. Por outro lado, estamos considerando outras medidas como inclusive junto à Organização Mundial do Comércio. Não tem nada decidido ainda a esse respeito porque não está claro qual é a posição dos Estados Unidos em relação ao Brasil”, disse o ministro.

Os países do G7, as principais economias do mundo, também se reúnem em paralelo nesta manhã aqui na reunião do G20. E os países europeus Alemanha, França e Itália reúnem-se com os representantes do comércio europeu para traçar uma linha de frente contra o protecionismo dos Estados Unidos. Todos querem ficar isentos dessa tarifa.

Taxação digital

Os outros assuntos em destaque são a taxação digital às empresas de comércio on-line como Facebook, Google ou Amazon. Essa discussão não terá uma conclusão agora, mas a taxação é o caminho natural.

Outra discussão que começa é a regulação das chamadas criptomoedas. A mais conhecida, a bitcoin. É que através desses ativos digitais é possível lavar dinheiro, sonegar impostos e até financiar o tráfico ilegal de drogas, de armas e o terrorismo.

Venezuela

E no meio desses desafios globais, a crise na Venezuela também entrou na pauta do G20, porque há países interessados em aplicar sanções à Venezuela como o Brasil, a Argentina, os europeus e os Estados Unidos, mas também há países interessados em sustentar o regime do venezuelano, Nicolás Maduro, como a China e a Rússia.

De qualquer forma, nasceu a ideia de criar um fundo de assistência aos refugiados venezuelanos que imigram diariamente pela região. Essa ideia será levada à reunião do FMI em abril, como explica o ministro da Fazenda do Brasil, Henrique Meirelles.

“Foi já levantada a hipótese a ser discutida na próxima reunião do FMI no sentido de que o FMI organize um fundo multilateral que possa ser usado na assistência e direcionamento desses refugiados”, disse Meirelles.

E sobre as sanções, o Brasil decidiu cobrar a dívida de 1 bilhão e 300 milhões de dólares que a Venezuela tem com o país, enquanto outros países estudam como asfixiar o governo Maduro.

“No caso específico do Brasil, nós mencionamos o problema da dívida da Venezuela e a decisão que foi tomada pelo governo brasileiro de cobrar o pagamento da dívida. Há o caso de países como o Brasil que estão demandando pagamento porque devido a não termos, muito pelo contrário, de apoiar ou de financiar o regime como é o caso de outros países. Rússia e China são aqueles países que estão concedendo um prazo ou uma moratória no pagamento da dívida”, concluiu o ministro da Fazenda brasileiro.

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