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Restrições a importações de carros pode gerar guerra comercial entre Alemanha e EUA

Após a entrada em vigor das tarifas de importação para aço e alumínio dos Estados Unidos para a União Europeia, a Alemanha está procupada com a possibilidade de Washington também banir a importação de carros alemães.

 

Márcio Damasceno, correspondente da RFI em Berlim

O presidente Donald Trump estaria cogitando a adoção de sanções sobre importações de veículos. A Alemanha, maior economia da União Europeia, também é o maior exportador de carros para os Estados Unidos.

A cúpula do G7, que acontece nesta sexta (8) e sábado (9), no Canadá, e é vista na Alemanha como mais uma oportunidade para se tentar convencer Trump a voltar atrás e rever sua política comercial e evitar que essa disputa não atinja o setor automotivo. Diferentemente das tarifas do aço e alumínio, as sanções contra os automóveis podem gerar desemprego e, no final, afetar a vida do alemão comum. Uma sanção econômica do tipo seria um duro golpe, porque a indústria automotiva é um dos pilares do poderio econômico alemão.

O setor é o principal motor da economia alemã e o maior ramo industrial do país, representando cerca de 20% do faturamento total da indústria alemã e empregando mais de 700 mil trabalhadores. No ano passado, os alemães exportaram quase 500 mil carros. Segundo a imprensa do país, um dos principais alvos das possíveis novas sanções americanas seriam os carros de luxo. Os alemães controlam 90% do mercado americano desta gama. Marcas como BMW, Rolls-Royce, Mercedes-Benz, Bentley, Bugatti, Porsche e Audi estão todas em mãos germânicas.

Uma revista alemã de economia informou há poucos dias que Donald Trump teria dito ao presidente francês, Emmanuel Macron, que manterá sua política comercial de sanções até que “não haja mais modelos da Mercedes circulando pela Quinta Avenida de Nova York”. A revista Spiegel apela hoje para que os europeus cancelem o G7.

Trump alega desequilíbrio na balança comercial

Trump alega que novas tarifas contra o aço e o alumínio são justificadas pelo desequilíbrio na balança comercial, que atualmente é vantajosa para os europeus.
Os alemães argumentam que é assim que o comércio mundial funciona. Que a Alemanha pode ter um superávit de mais de € 50 bilhões anuais, mas que as empresas da Alemanha geram mais de 800 mil empregos nos Estados Unidos.

Há algumas semanas, o ministro alemão da Justiça, Heiko Maas, disse ao secretário de Estado americano, Mike Pompeo: "Mike, vocês não podem estar falando sério, que carros alemães afetam seus interesses de segurança nacional. Pelo contrário: carros alemães tornam as estradas americanas mais seguras".

A afirmação foi provocada pela notícia de que Trump usaria essa justificativa - a mesma utilizada para a adoção de sobretaxas ao aço e alumínio. Já ex-ministro alemão do Exterior, Sigmar Gabriel, chegou a dizer que os Estados Unidos precisam melhorar seus carros, caso queiram competir com os veículos europeus.

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