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Só renovação salva empresas que atingiram “limite de crescimento”

Por Alfredo Valladão

“As árvores não crescem até o céu”. Os investidores sabem muito bem que as empresas, até as mais exitosas, acabam batendo no teto. Falta de mais consumidores e queda dos lucros. A única solução é reinventar tudo: os produtos, e a maneira de produzir e de vender. Isso também vale para os gigantes da “nova economia” – os famosos GAFA (Google, Apple, Facebook e Amazon). O valor de mercado dos quatro, junto com o da “velha” Microsoft, chega a 4 trilhões de dólares, mais do dobro do PIB do Brasil. Mas apesar desse poderio financeiro, a confiança das Bolsas é sempre relativa.

Na semana passada, o título da Facebook perdeu 19% do dia para a noite. Claro, a empresa de Mark Zuckerberg está na alça de mira depois de ter servido de veículo para a ingerência russa nas eleições americanas e por não conseguir controlar as utilizações ilegais da sua rede social. Mas na verdade, a reação dos mercados tem mais a ver com o medo de que a companhia está batendo no limite do crescimento.

Apesar de seus dois bilhões e meio de usuários e um faturamento em alta de 42%, os investidores preferiram olhar para o saturamento do número de internautas ativos e para as perspectivas futuras de estagnação das receitas publicitárias.

Mas perder 120 bilhões de dólares num dia só, mostra que no ar rarefeito dos líderes da economia digital qualquer indício provoca reações violentas. Mas também no outro sentido: no mesmo dia a Amazon virou estrela máxima da Bolsa.

Depois de anunciar um faturamento de dois bilhões e meio de dólares e um aumento de quase 40% dos lucros, tem muito gente apostando que será a primeira empresa a atingir uma capitalização de um trilhão de dólares, ultrapassando a própria Apple.

Nesse caso, a sabedoria do crescimento das árvores não bateu na Amazon. É verdade que sua atividade de base – o comércio eletrônico de bens – não está crescendo tanto como dantes. Mas a companhia de Jeff Bezos acelerou a inovação.

Hoje, boa parte dos lucros vêm do seu setor de serviços em rede para terceiros: logística, “nuvem”, informação sobre produtos e publicidade. Ser o maior hipermercado eletrônico do mundo é muito bom, mas as novas fontes de renda estão no setor de serviços onde o número de consumidores potenciais no mundo está muito longe da saturação.

Aliás, o seu grande campo de batalha futuro será a Índia e seu bilhão e trezentos milhões de habitantes. Um mercado gigantesco onde terá de enfrentar o seu maior concorrente global, a chinesa Alibabá.

A lição dessa gangorra de valores de Bolsa é que no mercado globalizado, quem não se renova de maneira permanente "se trumbica". Quando a árvore chega perto do céu, o remédio é inventar outra árvore e encontrar um céu mais alto. A maior companhia do mundo, a Apple, já depende mais dos seus aplicativos e serviços “online” do que da venda de seus telefones e computadores.

A Google está entrando firme no ramo dos carros elétricos, na infraestrutura para a cobertura internet do planeta ou para os serviços em rede.

Muita gente reclama desses gigantes da nova economia, acusando-os de criarem monopólios que impedem a concorrência – o que seria um travão para a inovação. Na verdade, a economia digital não funciona mais como a antiga economia da produção de massa de bens para o consumo de massa.

Quando uma empresa chega no topo, a pressão é ainda mais feroz: se não encontrar um jeito de se transformar e criar novos produtos, acabará sendo rapidamente ultrapassada por competidores mais ágeis e com muita fome.

E estes podem ser os seus próprios pares gigantes quanto algumas das milhares de pequenas startups pelo mundo afora que só pensam em arranhar o céu. Tem muita árvore tentando o tempo inteiro sugar o chão dos jequitibás digitais.

Alfredo Valladão faz uma crônica de política internacional às segundas-feiras para a RFI    

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