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Revista francesa aponta motivos para temer nova crise financeira mundial

Por Adriana Moysés

Dez anos após a crise financeira que endividou países europeus pelas próximas gerações, a revista francesa L'Obs dedica sua reportagem de capa esta semana aos sintomas de um novo crash financeiro mundial.

Os líderes mundiais juraram que os abusos dos mercados tinham sido corrigidos depois de 2008, mas a criação de produtos financeiros complexos e potencialmente tóxicos, que escapam ao controle dos reguladores, voltaram a infestar o sistema bancário. A França, por exemplo, tem em seu território quatro bancos que se tornaram grandes demais, difíceis de salvar em caso de crise sistêmica.

A preocupação é crescente entre os especialistas. Os mercados atravessam um momento de estresse desde o último trimestre de 2018 devido às incertezas sobre o crescimento da economia mundial. A L'Obs observa que US$ 11,5 trilhões evaporaram das bolsas de valores nas últimas semanas, o que equivale a 20% de seu valor total. Dez anos após a falência do banco americano Lehman Brothers, os maus hábitos voltaram às praças financeiras.

A publicação aponta dez razões concretas para se inquietar sobre um novo crash. Entre elas, a mudança na política de juros nos Estados Unidos, uma economia mundial dependente de títulos da dívida, a ameaça de guerra comercial, bancos muito grandes, como a BNP Paribas na França, que atingiu o tamanho do PIB francês, ativos superestimados, o sistema bancário sombra, financistas que atuam como feiticeiros, enfim, uma longa lista de riscos.

Recessão à vista

Há poucos dias, o número 2 do FMI, David Lipton, disse que o mundo está mais despreparado do que em 2008 para enfrentar uma nova crise, apesar das garantias propagadas pelos dirigentes dos países ricos. A constatação é semelhante à da ONG belga Finance Watch, instalada em Bruxelas. "O mercado financeiro internacional não está mais protegido hoje do que estava antes da crise dos subprimes", afirma o secretário-geral da organização, Benoît Lallemand. A próxima crise pode ser ainda mais violenta", adverte o belga.

Outro expert, Benoît Coeuré, membro do diretório do Banco Central Europeu, reconhece que o calhamaço de regulamentações adotadas pelas autoridades monetárias nos últimos dez anos não foi tão longe quanto deveria ter ido.

O ex-economista-chefe do FMI Olivier Blanchard faz uma análise menos catastrófica da situação atual. Ele afirma nas páginas da L'Obs que certamente haverá uma nova recessão mundial, provocada pela "estupidez das políticas adotadas por Donald Trump nos Estados Unidos, a desaceleração da China e o nervosismo dos mercados". Mas acredita que os bancos centrais realizaram progressos. Diante da eventualidade da recessão, o jeito é estar preparado, opina Blanchard.

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