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Especialistas em dados e IA são disputados a peso de ouro pelas empresas

Por Lúcia Müzell

Startups ou grandes multinacionais, passando pelas mais diversas áreas como varejo, medicina, ou comunicação: na era digital, raros são os setores que podem se privar de investir, e pesado, na equipe de tecnologia. Os cargos de CTO, CIO ou CDO (os chefes de tecnologia, informação e dados) chegam a ganhar salários pouco inferiores aos do diretor-geral da empresa.

A elevação exponencial dos salários surgiu na meca das startups de tecnologia, a Silicon Valley americana, onde a remuneração ultrapassa fácil a casa do milhão de dólares anuais, que costumam ser pagos em dinheiro e ações ou participação.

O resto do mundo tenta acompanhar esse ritmo alucinante. Uma nova empresa que almeja fazer uma estreia triunfante é quase obrigada a contar com um nome valorizado de CTO.

“Eles estão com salários muito bons porque, antes, a tecnologia era considerada uma despesa. Agora, ela é parte da sobrevivência das empresas. As que não tiverem uma área de tecnologia bem desenvolvida ficam para trás”, resume o consultor brasileiro Gil Giardelli, especialista em cultura digital. “Em grandes bancos ou companhias, dois funcionários sempre ganharam muito bem, o CEO e o CFO (diretor financeiro). E agora tem uma disputa entre quem ganha os melhores salários de mercado entre os CFO e o CTO, porque a tecnologia se tornou um ponto estratégico.”

França tenta se tornar polo em inteligência artificial

Na França, o presidente Emmanuel Macron colocou os investimentos e incentivos em inteligência artificial como prioridade de governo. Conseguiu fisgar um centro de desenvolvimento da Microsoft e outro da Samsung, enquanto a IBM prometeu abrir 400 empregos na sede francesa.

Um recém-formado inicia a carreira ganhando € 40 mil anuais, uma renda que pode dobrar em menos de quatro anos, num mercado no qual a falta de mão de obra é global. Os jovens mais talentosos são capturados desde o último ano de universidade, afirma Maya Noël, da associação FranceDigital, que promove o desenvolvimento da economia digital no país.

“Na prática, um desenvolvedor nem precisa procurar emprego, ele será procurado antes mesmo que ele pense nisso. Eles têm todas as opções diante deles: podem escolher as condições de trabalho, o local, as tecnologias com as quais querem trabalhar e, certamente, podem escolher por qual salário”, observa Noël.

Nessa concorrência internacional por desenvolvedores e programadores, a França tenta recuperar o atraso em relação aos países anglo-saxões, onde se concentram as melhores ofertas na Europa. A Inglaterra, a Holanda e a Alemanha disputam a atratividade. Pierre Ficheux, CTO da empresa Smile e professor de sistemas embarcados na Epita, a maior escola de informática da França, nota a dificuldade até para conseguir estagiários.

“Um terço dos alunos que fazem o estágio de fim de curso no exterior não retornam mais. Um estagiário – repito, um estagiário – da Nvidia, na Califórnia, ganha US$ 7 mil por mês. Na Irlanda, um estagiário da Arista, instalada em Dublin, ganha € 3,3 mil”, conta Ficheux. “Ou seja, em países como a França, está difícil até de conseguir um estagiário.”

Brasil é principiante, mas não foge à regra

O Brasil ainda é iniciante no setor, sobretudo em inteligência artificial. Para entrar com mais força neste universo da inovação, Gil Giardelli traça o caminho inevitável: investir na educação de matemática e pluridisciplinar.

“A gente precisa mudar as bases curriculares das profissões, porque vamos precisar de advogados e jornalistas especialistas em dados, médicos que usem a inteligência de dados. Ou seja, temos o desafio de entrar na economia da inteligência artificial”, comenta. “Dos 13 países que eu estudei que já despertaram para isso, em todos a faixa de pessoas que estão na atividade produtiva vive o pleno emprego.”

O especialista em Lean e Agile Coach José Cipriano, que trabalha na fintech brasileira PagSeguro, confirma que os profissionais são disputados no país: além de bons salários e outras vantagens, as empresas oferecem perspectivas de carreira, projetos atraentes e ascensão. Mesmo assim, a rotatividade é alta.

“É supernatural e é compreensível que o profissional não fique numa mesma empresa muito tempo. Tenho colegas que trabalharam comigo, receberam uma oportunidade melhor, saíram, depois voltaram um ano depois”, relata. “Eu diria que um profissional de TI fica de uma a dois anos em uma empresa e isso é perfeitamente normal. E o aumento da faixa salarial cresce de acordo com a evolução da carreira dele.”

A Pesquisa Salarial 2018 da consultoria Robert Walters no Brasil apontou que um CTO com quatro a oito anos de experiência ganha pelo menos R$ 260 mil ao ano. Já um profissional com 12 anos de carreira pode ter um salário de até R$ 504 mil.

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