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EUA e China decretam trégua na guerra comercial entre os dois países

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Reunião bilateral em Osaka, no Japão, entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping neste sábado, 29 de junho de 2019. REUTERS/Kevin Lamarque

A trégua na guerra comercial entre Estados Unidos e China foi decretada neste sábado (29) durante encontro entre Donald Trump e Xi Jinpig à margem do G20 em Osaka, no Japão. Os dois presidentes concordaram em retomar as negociações comerciais bilaterais, que haviam sido interrompidas em maio.


Washington renunciou a impor mais taxas aos produtos chineses, informou a agência oficial da China. As sobretaxas teriam afetado US$ 500 bilhões em produtos chineses importados a cada ano pelos Estados Unidos.

As negociações entre os dois países serão retomadas "sobre a base da igualdade e do respeito mútuo". Xi Jinping iniciou a reunião comentando que eles estavam não muito longe do local onde, há 48 anos, atletas chineses e americanos se enfrentaram no ping-pong. A clara alusão à histórica "diplomacia do ping-pong" entre as duas potências, foi interpretada como uma proposta ao diálogo. "China e Estados Unidos podem tanto ganhar com a cooperação, quanto perder com a luta", disse Xi a Trump, segundo a agência Xinhua.

Trump considerou a reunião com o presidente chinês de "excelente" e garantiu que as negociações bilaterais tinham "voltado ao bom caminho". Antes do encontro, Trump já havia mostrado que estava aberto a negociações, ao afirmar que "seria histórico se pudéssemos alcançar um acordo comercial justo".

Em entrevista coletiva, o presidente americano ressaltou, no entanto, que as novas tarifas sobre produtos chineses estão descartadas "pelo menos por enquanto". Ele também falou, sem entrar em detalhes, sobre a possibilidade de suavizar o veto ao grupo tecnológico chinês Huawei, um ponto sensível na complexa relação comercial entre dos dois países.

Trégua similar a de 2018

A trégua é similar a que foi anunciada pelos dois presidentes no G20 do ano passado em Buenos Aires, embora meses depois a guerra comercial tenha recomeçado. A guerra comercial entre Estados Unidos e China era a questão mais sensível desta Cúpula do G20 na cidade japonesa de Osaka. "Esse era realmente o tema dominante, o restante era secundário", opinou Thomas Bernes, do 'Center for International Governance Innovation', um grupo de pesquisas canadense.

Neste sentido, o comunicado final do G20 adverte que "as tensões comerciais e geopolíticas se intensificaram" e podem afetar um crescimento mundial que já está enfraquecido. No entanto, o documento não critica o protecionismo americano. O grupo dos 20 países mais desenvolvidos do mundo, criado em 2008, representa 85% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.

Acordo UE-Mercosul, antídoto ao protecionismo

Quase no mesmo momento em que Xi Jinping e Trump estavam reunidos, os líderes da União Europeia (UE) e do Mercosul fizeram uma declaração solene após o acordo anunciado na sexta-feira (28) em Bruxelas para um ambicioso tratado comercial entre os dois blocos, após 20 anos de negociações. "É uma das poucas boas notícias que tivemos em meses, no que todos acreditamos que é interconectar mais estas economias", afirmou o presidente argentino Mauricio Macri, ao lado do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker.

Também estavam presentes o presidente da França, Emmanuel Macron, a chanceler alemã Angela Merkel, o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e o primeiro-ministro espanhol Pedro Sánchez, entre outros, em uma demonstração de unidade e da aposta no multilateralismo ante o protecionismo defendido por Trump.

A ratificação do acordo será complexa, no entanto, porque exige a aprovação dos países membros da UE, cujos agricultores, em particular os franceses, são reticentes à entrada de produtos sul-americanos.

(Com informações da AFP)