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Redes ajudam mulheres a não temer o universo da tecnologia

Por Lúcia Müzell

Goste ou não, as profissões do futuro terão um pé na tecnologia – e as mulheres partem em desvantagem no mercado de trabalho de amanhã. Embora, de uma maneira geral, elas sejam mais qualificadas e tenham melhor desempenho escolar que os homens, as mulheres estão em segundo plano quando o assunto são códigos e algoritmos. Para ajudá-las a correr atrás do prejuízo, diversas plataformas oferecem cursos e promovem eventos para encorajar as meninas a, desde cedo, não terem medo deste universo tipicamente masculino.

A organização Girls in Tech, fundada na Califórnia há mais de 10 anos, é uma das mais conhecidas do mundo. Presente em 50 países, a entidade está também no Brasil. Para a co-Managing Director Jaqueline Steffenon, a falta de estímulo desde a infância e o desconhecimento de modelos femininos na área estão entre as principais razões que afastam as mulheres de carreiras disputadas e promissoras, como desenvolvimento, programação ou administração de banco de dados. Entretanto, ela lembra que a história da computação é marcada por dezenas de inventoras – como Ada Lovelace, considerada a mãe da programação.

“Eu sinto que isso é muito importante, mesmo para mim, que já estou na área. Acho que dá uma impulsionada. As pessoas que mais são faladas da área de tecnologia são todas homens e seria fundamental ter mais equilíbrio”, afirma Jaqueline. “Ao não ver a representatividade, você pensa que nunca vai chegar onde aquela pessoa chegou.”

Encontro da Girls in Tech Brasil Pietra Cruz/NeoAssist

Tecnologia invadiu áreas humanas, com predominância feminina

Outra plataforma, esta 100% brasileira, é a PrograMaria. Jornalista de formação, Iana Chan percebeu que até em áreas tipicamente humanas, como a sua, o conhecimento em tecnologia se tornou fundamental – e por não falarem essa língua, as profissionais estavam deixando de ocupar as oportunidades.

“No ensino superior, nos cursos relacionados à área de computação há cerca de 15% de mulheres e, nas empresas, elas são 20% da mão de obra de TI. Existe um déficit muito grande nessa área”, lamenta Iana.

Iana Chan, fundadora da PrograMaria, apresenta pitch no Demo Day do Google For Startups. Crédito: Divulgação/PrograMaria

Iniciativa semelhante foi criada pela professora Vanessa Romankiv. Fundadora de uma empresa de desenvolvimento de softwares em Curitiba, ela quis ajudar outras mulheres a se aprofundarem nos conhecimentos em tecnologia e abriu a TechLadies. Pela plataforma e grupos de conversas privadas, elas ficam à vontade para falar sem tabus, no que Vanessa chama de “ambiente seguro”.

“Ambientes seguros são lugares onde as mulheres não terão medo de falar, tirar dúvidas. Eu superei isso, mas esse temor ainda me atrapalha de vez em quando”, relata Vanessa. “Quando as mulheres vão falar em eventos de tecnologia, têm um pouco de receio de ser questionada se realmente sabem do que estão falando. Você ainda não sabe isso? Você é burra! Os questionamentos acontecem o tempo todo, mas estamos começando a superar.”

Provar que são capazes

Mesmo quando capacitadas, nos postos de trabalho não é muito diferente. Elas relatam ser mais cobradas que os colegas homens, sobretudo se têm uma vida familiar a conciliar.

“Nas empresas, acontece de uma mulher participar de uma reunião da equipe técnica, falar onde estava o erro e ninguém dá bola. Em seguida um homem repete o que ela falou e todo mundo diz: está aí a solução”, conta a fundadora da TechLadies.

Startups se obrigam a buscar paridade

A exceção, ressaltam tanto Vanessa quanto Iana, é no ambiente das start ups, que já nascem com a obrigação de se preocupar com a paridade de gêneros. A TechLadies e a PrograMaria são procuradas por novas empresas em busca de mulheres especialistas em TI. O próximo passo é elas se sentirem mais seguras para abrirem a própria start up, destaca Iana Chan.

“As mulheres no Brasil são maioria entre empreendedoras, mas quando fazemos o recorte dos empreendimentos em tecnologia e alto impacto, que são as start ups, mulheres fundadoras são minoria”, constata Iana. “Elas têm ideias, conseguem olhar para o mundo e enxergar uma série de problemas – e neles está a fonte de grandes ideias -, mas ainda existe a barreira de como tirar a ideia do papel, que muitas vezes passa por tecnologia. Ou seja, uma barreira de entendimento: não sei nem como pedir o que eu quero que seja feito.”

O caminho pela frente ainda é longo rumo ao equilíbrio das oportunidades. Na França, a consultoria de RH Urban Linker constatou que menos de 10% das startups são dirigidas por mulheres e elas só representam 16% dos empregados no setor de tecnologia.

O cenário é sutilmente mais favorável nos Estados Unidos. Uma pesquisa do Pew Research Center revelou que, embora componham 50,2% da força de trabalho diplomada, só 25% dos graduados em tecnologia, ciência, matemática e engenharia são mulheres.

Entretanto, essas áreas são as que apresentam maior potencial de crescimento no mercado de trabalho e nas quais se concentram os maiores salários. Ou seja, a falta de mulheres nesses setores tende a acentuar as diferenças salariais entre os gêneros nos postos de alta qualificação, frisa o instituto americano.

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