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França: ondas de calor devem comprometer produção de vinho em 2019

Por Paloma Varón

O Ministério da Agricultura francês publicou neste mês de julho suas previsões sobre a produção de vinho na França para 2019. Segundo as estimativas, a produção deste ano terá uma baixa de 6 a 13% em relação a 2018. O principal fator desta possível queda de produção são as condições climáticas, principalmente as geadas e as ondas de calor.

Neste verão de 2019, a França já enfrenta a sua segunda canícula, ou seja, calores extremos que afetam diretamente a agricultura e a saúde da população. De acordo com esta previsão, a produção de vinho deste ano deve ficar entre 42,8 e 46,4 milhões de hectolitros, sendo que 1 hectolitro são cem litros.

A França produz cerca de 17% de todo o vinho do planeta e 30% de sua produção é destinada à exportação. Países como Estados Unidos, China e Brasil são grandes compradores. A exportação de vinhos gera 8,9 bilhões de euros à França por ano, sendo o vinho o segundo produto mais exportado pelo país. Os dados são da organização Vinho e Sociedade.

Para Eric Tesson, diretor da Confederação Nacional de Produtores de Vinho (CNAOC, na sigla em francês), as estimativas de julho não preocupam porque se tratam justamente de previsões. Ele não quis comentar as estimativas, mas disse que as influências climáticas sobre a produção variam muito segundo a região e "não influenciam o mercado de maneira global".

Jean-Marie Fabre, presidente dos viticultores independentes da França, também acha cedo para fazer previsões, mas já se prepara para um ano difícil.

RFI - As condições climáticas podem colocar a colheita em risco este ano?

JMF - Eu diria que é um ano em que, mais uma vez, os imprevistos climáticos condicionam a produção agrícola e vinícola, sem dúvida. Os imprevistos foram numerosos: para começar, os episódios de geada em pleno mês de junho, que foram marcantes em algumas zonas. Houve também geada de primavera em algumas vinícolas, particularmente no Vale do Loire. E depois as fortes ondas de calor no fim do mês de junho que impactaram bastante as vinícolas da região mediterrânea, entre outras. Esta seca que a gente vive agora e deve continuar pelos próximos três meses deve provocar um nível de colheita mais baixo que no ano anterior.

RFI - E como isso afeta os produtores? Como solucionar o problema?

JMF - Não há solução única e adaptada a todas as vinícolas francesas e a todos os tipos de empresas, porque tem empresas que vão comissionar toda ou parte da sua garrafa, outras que vão assegurar a totalidade da comercialização na França ou para exportação; as questões econômicas e financeiras são diferentes de uma estrutura à outra, então é necessária uma caixa de ferramentas com soluções múltiplas adaptadas.

Nós trabalhamos, faz pouco mais de cinco anos, com o VCI, Volume Complementar Individual, com o alívio fiscal sobre estoques de rotação lenta e agora é preciso trabalhar de maneira mais eficaz com os seguros, que devem ser maleáveis em função dos riscos reais que incorrem as fazendas a as empresas.

RFI - O preço da garrafa do vinho deve subir?

JMF - De maneira pontual, em algumas Indicações Geográficas Protegidas (IGP) ou Apelações de Origem Protegidas (AOP) mais conhecidas ou de empresas cuja produção será muito baixa, haverá mecanicamente um pouco de aumento, mas longe de ser equivalente à amplitude de imprevistos climáticos, simplesmente porque é difícil repercutir o conjunto de perdas, porque nem mercado nem o consumidor final podem absorver, salvo raras exceções. Então, efetivamente, a baixa na produção vai diminuir a margem de lucro das empresas e o fluxo de caixa disponível para investimentos e amortização da dívida e talvez diminuir também a sua competitividade.

RFI -  E como isso deve afetar o mercado mundial de vinho, visto que a França é o primeiro exportador em valores?

JMF - É uma pena que o Ministério da Agricultura lance estas previsões agora em julho. Não faz nenhum sentido. Muitos imprevistos podem acontecer daqui até o momento da colheita e estas previsões podem dar um sinal errôneo ao mercado e aos operadores econômicos, franceses ou internacionais, ao acreditar que um dado volume de produção será disponível antes que o tempo de colheita chegue. Vamos aguardar setembro, outubro.

 

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