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Bilionário legendário de Wall Street investe toda a sua fortuna em tecnologias limpas

Por Adriana Moysés

O bilionário britânico Jeremy Grantham, um investidor legendário de Wall Street que ficou conhecido por ter previsto as últimas crises financeiras internacionais antes do restante dos mortais, ganha um perfil de sete páginas na revista semanal do jornal francês Les Echos. A razão é nobre: aos 80 anos, ele decidiu dedicar 98% de sua fortuna à causa ambiental e consagrar seus últimos anos de vida a projetos de baixo carbono.

Para os ecologistas, o dono da consultoria Grantham Mayo Van Otterloo tornou-se um herói nacional. Já os banqueiros de Wall Street, que apostam todas as fichas nas empresas de novas tecnologias, veem o visionário britânico como um traidor, diz a revista do Les Echos.

Jeremy Grantham está investindo US$ 1 bilhão em empresas inovadoras na área ambiental. Ele afirma ficar impressionado de ver "a que ponto as pessoas não se dão conta das situações assustadoras que enfrentarão, nos próximos anos, em consequência das mudanças climáticas".

A empresa do britânico gerencia US$ 100 bilhões de ativos. Mas ele constata que, nos Estados Unidos, apenas 2% das doações são destinadas aos projetos de transição energética. Os investidores também não se mostram interessados em apoiar soluções para salvar o planeta. No ano passado, eles investiram apenas US$ 6,5 bilhões no desenvolvimento de tecnologias limpas, o que corresponde a 15% do que direcionaram para as startups da internet.

Mais de esquerda do que Marx

Na longa entrevista concedida à publicação francesa, Jeremy Grantham afirma ter absoluta certeza de que sairá ganhando com sua escolha. "Bilhões de dólares vão migrar nos próximos anos da velha economia, baseada no petróleo, para a nova, das energias limpas", prevê o investidor. A mudança já começou e, quando embalar, será o fenômeno econômico mais importante desde a revolução industrial, conta entusiasmado.

Jeremy Grantham gosta de utilizar fórmulas fortes para expressar suas ideias. Ele diz, por exemplo, que as pessoas finalmente compreenderam que as crianças custam caro e são insuportáveis, para celebrar a queda da taxa de natalidade no mundo. No que diz respeito às desigualdades, ele afirma ser mais esquerdista do que Karl Marx, o filósofo e economista alemão considerado um dos fundadores do socialismo. "Os Estados Unidos são um Estado criminoso", acrescenta, por Donald Trump ter abandonado os compromissos assumidos no Acordo de Paris.

Como é provável que o investidor não veja o fim do filme, devido à idade avançada, ele fala que adoraria ressuscitar dez anos após sua morte para voltar à Terra e ver se os homens souberam reagir a tempo de evitar um colapso climático. Mas acrescenta com certa resignação: "Os homens têm uma terrível capacidade de se autodestruir".

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